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Policiais legislativos vasculharam residência oficial após operação da PF contra Cunha

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EDUARDO CUNHA
Cunha pode ter sido beneficiado por varredura antigrampo | Ueslei Marcelino / Reuters
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O diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, afirmou nesta segunda-feira (24), em depoimento à Polícia Federal, que policiais legislativos fizeram varreduras na residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados quando Eduardo Cunha estava no cargo. As informações são da TV Globo.

De acordo com Carvalho, a varredura aconteceu em dezembro, após operação de busca e apreensão da PF no local. Essa fase da Lava Jato foi batizada como Catilinárias – em referência ao romano Cícero (“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? / Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?).

Réu na Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o ex-presidente da Câmara está preso preventivamente desde a última quarta-feira (19).

Carvalho foi detido na última sexta-feira (21) em uma operação da PF que investiga se policiais legislativos retiraram escutas em imóveis de senadores e ex-senadores investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Teriam sido beneficiados os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fernando Collor de Mello (PTC-AL) e os ex-senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e José Sarney (PMDB-MA). Todos negaram irregularidades.

Na decisão que autorizou a operação no Senado, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira apontou o chefe da Polícia do Senado como "principal responsável" pelas irregularidades e afirmou que ele "exerce a liderança da associação criminosa".

De acordo com a Polícia Ferderal, foram obtidas provas de que o grupo tinha a finalidade de criar embaraços às ações investigativas contra senadores e ex-senadores por meio de equipamentos de inteligência.

Segundo o Ministério Público Federal do DF, os fatos são apurados em inquérito policial instaurado a partir de informações reveladas na delação premiada de um policial legislativo.

"O agente afirmou aos investigadores que, em quatro ocasiões, servidores públicos - utilizando equipamentos do Senado - fizeram varreduras em imóveis particulares e funcionais ligados a três senadores e um ex-parlamentar investigados na Operação Lava Jato. O objetivo, segundo as declarações do colaborador, era fazer a chamada contrainteligência: localizar e destruir eventuais sistemas utilizados para escutas telefônicas e ambientes", disse o MPF, em nota.

As varreduras em si não são irregulares; mas sim o uso de recursos públicos para essa ação e o fato de os beneficiados serem investigados pelo MPF.

Na operação, foram apreendidos 15 equipamentos de varredura que passam por perícia. O laudo deve revelar locais, datas e serviços realizados por cada aparelho.

Os outros três policiais legislativos detidos na sexta-feira, Geraldo Cesar de Deus Oliveira, Everton Taborda e Antonio Tavares, foram liberados após prestar depoimentos.

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