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Lava Jato: Palocci, o 'Italiano' do listão da Odebrecht, é indiciado por corrupção passiva

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ANTONIO PALOCCI
(FILES) This file photo taken on June 7, 2011 shows former Brazilian Minister of Economy and Chief of Staff Antonio Palocci during a ceremony at Planalto Palace in Brasilia. Brazilian police on September 26, 2016 arrested Antonio Palocci, a former finance minister and senior figure in the last two governments, as part of the Petrobras corruption probe, news reports said. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images) | EVARISTO SA via Getty Images
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Ministro da Fazendo do governo Lula e ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff. Este é o médico Antonio Palocci, homem de confiança de grande parte do Partido dos Trabalhadores, com cargos de primeira linha nos últimos anos.

Preso na Operação Omertà, na 35ª fase da Lava Jato, em 26 de setembro, Palocci foi indiciado nesta segunda-feira (24) sob suspeita de ter recebido propinas da empreiteira Odebrecht. O montante de dinheiro pago ao PT - que incluiria o ex-ministro Palocci - chega a R$ 128 milhões.

Além de Palocci, o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, responsáveis pelas campanhas vencedoras de Lula e Dilma ao Planalto, um assessor pessoal de Palocci, Branislav Kontic, e o empresário Marcelo Odebrecht também foram indiciados.

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O 'Italiano' da Odebrecht

No dia da prisão de Palocci, no mês passado, a procuradora da República, Laura Gonçalves Tessler disse à imprensa que o ex-ministro teve atuação “intensa e reiterada” na defesa de interesses da empreiteira Odebrecht na administração pública federal. Segundo a procuradora, a empreiteira repassou R$ 128 milhões de reais a uma conta que seria gerida pelo ex-ministro. A PF acredita que Palocci seja o "Italiano", apelido presente numa lista da Odebrecht que conta com a lista de políticos que teriam recebido propina da empreiteira. A lista tornou-se sigilosa a pedido de Sergio Moro.

De acordo com Laura Gonçalves, haveria um conta destinada ao recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht e Palocci seria o gestor dessa conta. “Se verificou uma atuação intensa e reiterada de Palocci na defesa de interesses da empresa perante a administração pública federal envolvendo contratos com a Petrobras, questões veiculadas e medidas legislativas. Essa atuação se deu mediante a pactuação e recebimento de contrapartidas em favor do Partido dos Trabalhadores. Palocci, ao que tudo indica, atuava como gestor dessa conta tendo atuado desde 2006 até pelo menos novembro de 2013, comprovadamente, com pagamentos documentados nessa planilha”, disse a procuradora.

Para o Ministério Público Federal, há indicativos de que Palocci tenha atuado em outros casos em defesa dos interesses da empresa. Segundo a procuradora Laura Gonçalves, foram registrados quase 30 encontros pessoais entre Palocci e executivos da empresa, muitos deles na casa do ex-ministro e no escritório de sua empresa.

O listão da Odebrecht

A Odebrecht promete apresentar provas que envolvem, além de integrantes do governo federal, 35 senadores, 13 governadores e dezenas de prefeitos. O objetivo é detalhar os pagamentos feitos pelo Setor de Operações Estruturadas, conhecido como “diretoria da propina”. A área foi criada pela empresa para repassar valores a políticos.

Um dos pontos de embate para fechar o acordo gira em torno da origem dos repasses a políticos. A empreiteira afirma que a maior parte dos pagamentos foi feita como caixa dois de campanha, sem vinculação direta com obras ou contratos com governo. Os procuradores cobram informações sobre a origem da propina.

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