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Cidade italiana desiste de receber 12 refugiadas após moradores construírem barricadas

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BARRICADA
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Autoridades da província italiana de Ferrara desistiram de acomodar 12 mulheres refugiadas e seus oito filhos na cidade de Gorino após moradores do local montarem uma barricada contra a chegada de um ônibus que levava as estrangeiras ao local.

A chegada dos refugiadas tinha sido autorizada pelo representante do Estado em Ferrara, Michele Tortora, para ajudar a sanar a crise imigratória que atinge toda a Itália, um dos países considerados porta de entrada para a Europa. Diante do incidente, no entanto, Tortora mudou os planos.

"Ou nós gerenciamos esse fenômeno juntos com bom senso, ou não conseguiremos controlá-lo", afirmou, citado pela agência italiana Ansa. De acordo com Tortora, a ideia de acolher as refugiadas em Gorino foi descartada, em nome da "tranquildiade da ordem pública".

Tortora já tinha tomado a decisão há tempos, mas somente na tarde de segunda (24) os moradores da província de Ferrara, na região da Emilia-Romanha, foram notificados da chegada do ônibus de refugiadas e se irritaram. Um grupo de mais de 10 italianos começou a construir barricadas na estrada. O protesto se prolongou durante a noite e só foi acalmado após uma negociação com as autoridades municipais.

Segundo o The Local, além da barricada, os manifestantes gritaram palavras de ordem como "não os queremos aqui". Ainda de acordo com o veículo, pelo menos 200 pessoas (pouco menos de metade da população do vilarejo) se juntaram à manifestação.

Ao todo, 12 refugiadas, uma delas grávida, deveriam ser hospedadas com seus filhos em um hotel de Gorino, um povoado de 600 habitantes. Outros refugiados se juntariam ao grupo posteriormente. Todas são cidadãs originárias da Nigéria, Nova Guiné e Costa do Marfim. Com a confusão, as refugiadas foram realocadas e enviados para Comacchio, Fiscaglia e Ferrara.

Mesmo com o acordo, alguns moradores da província ainda estão descontentes. Os pescadores de Ferrara disseram que farão greve nos próximos dias e não enviarão seus filhos à escola.

"Me envergonho muito do que aconteceu em Ferrara. Essas pessoas que impediram o acolhimento de crianças e mulheres também devem se envergonhar", disse o chefe do departamento de imigração do Ministério do Interior da Itália, Mario Morcone.

O protesto em Gorino e Goro coincidiu com o anúncio do governo italiano de que mais de 153 mil imigrantes desembarcaram no país desde janeiro deste ano, superando em 10% a quantidade de pessoas que chegaram à Itália pelo Mar Mediterrâneo durante todo o ano de 2015.

Há anos, a Itália, por estar localizada no Mar Mediterrâneo e próxima da costa africana, recebe diariamente dezenas de embarcações com imigrantes ilegais e refugiados de guerras que tentam chegar à Europa para pedir ajuda.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, defende a política de acolhimento e apoio aos imigrantes, mas também tenta convencer a União Europeia de compartilhar a responsabilidade, já que muitos imigrantes não querem viver na Itália, mas sim, se instalar em outro país do bloco.

O partido nacionalista Liga Norte, porém, é um dos principais críticos da política imigratória de Renzi e comemorou que os moradores de Gorino e Goro tenham reagido com barricadas.

"Obrigado a todos que se manifestaram na noite de ontem, obrigado a quem lutou para que a democracia e o bom-senso vencessem. Os moradores de Gorino são, para nós, os novos heróis da resistência contra a ditadura do acolhimento", disse o secretário do partido e conselheiro para a Emilia-Romanha, Alan Fabbri.

(Com informações da Ansa)

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