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Ronaldo Fraga leva trans para passarela da SPFW em ato pelo fim da transfobia

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ronaldo fraga

Depois de Emicida agitar a SPFW (São Paulo Fashion Week) com um retumbante grito em prol de maior diversidade na moda, com a estreia de LAB nas passarelas, foi a vez de Ronaldo Fraga mexer com as estruturas tradicionais do evento fashion.

Nesta quarta-feira (26), o estilista mineiro - que já levou idosos e refugiados para as passarelas - trouxe visibilidade às mulheres trans, colocando 28 modelos transexuais em seu desfile, no Theatro São Pedro. A maioria delas eram estreantes nas passarelas.

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Uma gravação com a voz de Fraga deu início ao desfile: "O corpo aprisiona, e as roupas libertam o ser". Todas as modelos usaram vestidos com estampas inspiradas em bonecas de papel. Ao final, voltaram ao palco usando calcinha e sutiã pretos e dançaram uma valsa.

"Estamos em tempos de guerra. Minha forma de protesto é essa. Nós não precisamos mais de roupas. A moda precisa começar a dialogar em outras frentes”, disse o mineiro à imprensa e convidados presentes na plateia.

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Conhecido por trabalhar não apenas com roupas, mas também com reflexões e novas ideias respeito da sociedade, o estilista revelou à revista Elle que escolheu ter apenas mulheres trans nesse desfile por conta da discussão sobre identidade gênero em voga, dentro e fora das redes sociais e, sobretudo, devido à violência que essas mulheres sofrem no Brasil.

“Eu sou meio repetitivo. Falo sempre de amor, resistência e da moda como ato político, força de protesto e apropriação cultural. São as mesmas histórias. E eu gosto dos invisíveis. Falamos hoje de um grupo que é dizimado no Brasil. São estatísticas que colocam o país no topo do ranking das nações que mais matam travestis e trans no mundo. Mas ninguém faz nada sobre isso. A média de vida de uma trans no Brasil é de 35 anos. Elas morrem devido à violência, suicídio ou pelo tratamento errado de fundo de quintal com hormônios. E ninguém fala nada. Elas saem das escolas aos 10 anos de idade por conta de bullying e não voltam mais. Não dá mais para ignorar isso.”

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Em entrevista à Folha de S. Paulo, Fraga explicou sua visão sobre moda e porque chama de seu desfile de um ato político.

“A roupa aqui é um detalhe. Ou melhor, a roupa aqui vem com uma história. A história de cada uma das modelos. Isso faz parte do meu pensamento de descobrir a nova função das velhas coisas. O mundo não precisa de mais um desfile, mais uma coleção, mais uma tonelada de roupas e sapatos. Moda é muito mais do que isso. (...) A bancada evangélica [no Congresso Nacional] traz muitos retrocessos. Por isso o desfile é um ato de coragem e resistência. E a gente não tem noção do poder de uma sementinha que a gente planta, do alcance que a moda tem no Brasil. Ainda se discute muito no país a questão do feminino. As pautas feministas se tornaram urgentes. Imagina o quanto um homem que se vê como mulher não sofre?”

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Em entrevista à Elle, a cantora Danna Lisboa, uma das modelos, comemorou a ação do estilista:

“Hoje me senti valorizada e percebi que a luta das transexuais não é em vão. Um desfile como esse não dá voz só a mim, mas sim a todas as trans. É preciso falar sobre a nossa resistência e questionar onde fazemos guerra e onde fazemos paz.”

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