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Estudantes acusam TRE e governo de Minas de ameaças para forçar desocupação de escolas

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ESCOLA BELO HORIZONTE
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A União Colegial de Minas Gerais (UCMG), entidade estudantil que participa das ocupações em escolas de Minas Gerais em protesto com ações do governo de Michel Temer disse que órgão estaduais ameaçaram usar violência para acabar com os protestos no segundo turno das eleições municipais, neste domingo (30).

"Recebemos ligações de várias escolas e do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) relatando possibilidade do uso de violência contra os estudantes que ocuparam após o acordo", afirmou a entidade.

Em 26 de outubro foi assinado um acordo junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a Secretaria de Estado de Educação (SEE), o Ministério Público, o Governo do Estado e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Minas de coexistência entre as ocupações e as eleições.

Os alunos poderiam permanecer nas escolas no domingo mas sem manifestações de voto e novas escolas ocupadas. Apenas parte dos colégios será utilizada como zona eleitoral.

No Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte, onde votam os dois candidatos, Alexandre Kalil (PHS) e João Leite (PSDB), além do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, não foram registrados incidentes.

A área ocupada foi isolada e cartazes com os direzes "Fora Temer" foram retirados das paredes da escola, mas frases contra o teto de gastos públicos e a reforma do Ensino Médio permaneceram, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.

O colégio também é conhecido por ter a ex-presidente Dilma Rousseff como ex-aluna.

Novas ocupações

Após o acordo, contudo, novas escolas foram ocupadas. Segundo a UCMG, cerca de 100 escolas do Estado abrigam manifestantes.

Alunos da Escola Estadual Professor Leopoldo Miranda também relataram ameaças de violência.

Segundo a UCMG, algumas escolas em Minas decidiram suspender a ocupação "para garantir a integridade dos jovens ocupantes, fazendo atos em repúdio à truculência do TRE e retornando no domingo após às 21h, e outras decidiram por continuar dentro das escolas como forma de protesto".

"Nós somos terminantemente contra a desocupação de um espaço que é nosso e a criminalização do movimento estudantil, e defenderemos até as últimas conseqüências o direito dos jovens de decidirem continuar em suas escolas e resistiremos com eles", diz nota da UCMG.

O Tribunal Regional Eleitoral do estado informou que não iria comentar o embate e que deve divulgar uma nota geral sobre o segundo turno no final deste domingo.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação de Minas Gerais informou que "tem pautado sua atuação com base no respeito e no diálogo com os estudantes e com o movimento. E orientou todas as Superintendências Regionais de Ensino e diretorias de escola a agirem segundo esta conduta".

De acordo com a secretaria, o acordo fechado em 26 de outubro abarcou sete escolas estaduais até então ocupadas e outras 6 escolas foram ocupadas após essa data. A escola Leopoldo de Miranda foi desocupada até as 21h deste domingo "após conversas", de acordo com o órgão.

Ao abrir simbolicamente o segundo turno de votação na Escola Municipal Avertano Rocha, na Cidade de Deus, na zona oeste da cidade do Rio, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, disse acreditar que não haveria tumulto por causa das ocupações.

“Nós devemos fazer ponderações para evitar que o direito livre de manifestação tumultue um direito que é importante, que é o de participar do processo eleitoral. Esperamos que não ocorram tumultos ou conflitos naqueles locais onde há votação e ocupação”, afirmou.

Em alguns estados, os tribunais regionais eleitorais decidiram mudar os locais de votação, para evitar conflitos.

Ao votar neste domingo (30) em Curitiba, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), criticou as ocupações. "Está na hora de todos se conscientizarem e pararem com essa brincadeira. Isso não leva a nada", afirmou.

O governo paranaense conseguiu na última quinta-feira (27) ordens de reintegração de posse de 25 colégios na capital. Por volta de 800 escolas foram ocupadas no estado nas últimas três semanas e cerca de 400 continuam ocupadas, segundo balanço da secretaria da Educação estadual.

Belo Horizonte

Cerca de 1 milhão e 900 mil eleitores são esperados na capital mineira neste segundo turno. A disputa está empatada tecnicamente, de acordo com as mais recentes pesquisas Ibope e Datafolha.

Ex-goleiro do Atlético-MG e deputado estadual em seu sexto mandado, João Leite (PSDB) foi o mais votado no primeiro turno com 33,4% dos votos válidos. Já o ex-presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil (PHS), registrou 26,56% da preferência do eleitorado.

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