Huffpost Brazil
Grasielle Castro Headshot

Sob a sombra da igreja evangélica, Crivella assume a Prefeitura do Rio de Janeiro

Publicado: Atualizado:
MARCELO CRIVELLA
Divulgação
Imprimir

“Não é porque ele é evangélico que vai ter um governo pautado na igreja. Não tem isso.”

A declaração do 1º secretário da Câmara dos Deputados, deputado Beto Mansur (PRB-SP), correligionário do novo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, explica bem qual a principal preocupação com relação a futura gestão. O grande desafio será sair da sombra da Igreja Universal e contemplar também os setores onde há embate com os evangélicos.

Mansur compara: “Olha o Marcos Pereira (ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio e presidente do partido, presidente do PRB e bispo licenciado), ele é evangélico e está aí com um trabalho que não é pautado pela igreja”. O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), da Assembleia de Deus, também refuta a influência da religião. “A preocupação será suceder uma gestão boa, como foi a do Eduardo Paes (PMDB). Ele não terá amarras com a igreja”, pontua.

Ciente da preocupação com a associação à igreja, Crivella tem insistido que os adversários dizem isso porque não têm o que falar.

Por outro lado, o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) diz que o problema não é a religião, “que é uma questão de foro íntimo”, mas o perigo de " fazer do Estado uma extensão de sua igreja, para beneficiá-la por meio da máquina pública e impor seus dogmas ao conjunto da população”.

Embora tenha dito que vai manter a parada gay, a qual se referiu como "expressão democrática", foi justamente com a população homossexual que Crivella teve os principais embates na campanha.

Além de ter dito que gays são resultado de um “aborto mal feito”, Crivella afirmou que homossexualidade não é doença, mas é pecado. E, em seu livro Evangelizando a África, o senador diz que homossexualidade é um “terrível mal” e critica quase todas as religiões.

Ainda na trava entre a igreja e os evangélicos, projetos que lei que tramitam na Assembleia Legislativa já são vistos como impasse. Há um que proíbe os estabelecimentos comerciais de discriminar evangélicos. Enquanto isso, neste mês, um gerente do bar Os Ximenes, no Rio, protagonizou um ato de lesbofobia.

Punir este tipo de caso enfrenta resistência na bancada evangélica. No debate da Band, Crivella afirmou que é "contra qualquer tipo de homofobia. Ninguém tem o direito de mandar na vida dos outros. As pessoas têm que decidir (sobre suas vidas) e todos temos que respeitar”.

No mesmo debate, ele disse que o temor dos evangélicos é que o projeto "extrapole e tire o direito dos pastores de dizer que homossexualidade é pecado”.

"Eu defendo a vida, sou contra o aborto, defendo a família como ela é descrita na Constituição e não quero a liberalização das drogas. Não tem nada a ver com discriminar, perseguir ou odiar os homossexuais ou tirar deles os direitos civis”, emendou no debate, segundo o Estadão.

marcelo crivella

O apaziguador

Crivella é bispo licenciado da Universal e sobrinho do fundados da igreja, Edir Macedo. Pela ampla penetração no meio evangélico, ele foi figura chave na eleição e reeleição de Dilma Rousseff. No primeiro momento, ele foi acionado para fazer papel de bombeiro e evitar que a petista perdesse votos com uma polêmica sobre aborto. Seu papel foi enfatizar que Dilma não apoiaria o aborto nem o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Na reeleição, no papel de ministro da Pesca do governo Dilma foi ajudar a petista a montar um grupo de apoio para reforçar o compromisso da ex-presidente com pautas que não atingissem a igreja. Em 2014, Crivella foi candidato ao governo do Estado, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pelo candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão.

Segurança pública

Apesar do destaque ao embate ideológico, conservador e religioso, Crivella terá um problema prático e imediato a resolver no Rio de Janeiro: a segurança pública. Com altos índices de criminalidade e a medalha de prata na lista dos estados onde os policiais mais matam, o Estado do Rio de Janeiro e sua capital vivem uma situação delicada.

A intenção de Crivella é tirar as armas letais das mãos dos guardas municipais e colocá-los no policiamento comunitário e na vigilância ostensiva. O novo prefeito também quer integrar as forças de segurança do Estado e criar equipes de choque para situações extremas.

Principais propostas e promessas:

  1. Manter a parada gay
  2. Manter investimentos no Carnaval
  3. Reduzir o número de secretarias e órgão ligados ao prefeito, de 29 para, no máximo, 15
  4. Zerar cirurgias onde o paciente corre risco de vida
  5. Favorável ao passe-livre
  6. Criar 20 mil vagas em creches e 40 mil em pré-escolas até 2020
  7. Investir em sistemas de meritocracia para os planos de carreira
  8. Redirecionar imediatamente o foco da guarda municipal
  9. Ampliar o número de câmeras de vigilância
  10. Ampliar para 3 horas o prazo de uso do Bilhete Único
  11. Reduzir o número de radares de trânsito

LEIA TAMBÉM:

- Crivella comemora a vitória: 'Agradeço o voto dos católicos, umbandistas, kardecistas e ateus'

- Financial Times: Bancada evangélica conduz Brasil para a direita

Mais no HuffPost Brasil:

Close
Crivella ou Freixo? O segundo turno das Eleições 2016 no Rio
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção