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Aécio detona discurso de 'antipolítico', que elegeu Doria e Kalil: 'Nada mais manipulador que negar a política'

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AECIO DORIA
Aécio critica discurso que elegeu Doria em São Paulo | Montagem / NITRO / Agência Brasil
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Presidente do PSDB e um dos nomes que vão disputar a vaga do partido à Presidência da República em 2018, Aécio Neves criticou o discurso do antipolítico, usado por candidatos nas disputas municipais.

Esse foi o principal argumento das campanhas de Alexandre Kalil (PHS), eleito em segundo turno neste domingo (30) para prefeito de Belo Horizonte e de João Doria (PSDB), que conquistou a prefeitura de São Paulo no primeiro turno.

Kalil ganhou de João Leite (PSDB), afilhado político de Aécio na capital mineira, e Doria contou com apoio do governador paulista, Geraldo Alckmin, desafeto do senador dentro do partido.

"Nada mais inútil e manipulador que a simples negação da política, já que esta se constitui no território do debate e do diálogo que sustentam o ambiente democrático", escreveu Aécio em artigo publicado nesta segunda-feira (31), na Folha de S.Paulo.

Para o senador, "há uma evidente crise da representatividade política no elevado número de votos nulos e brancos" e "nunca tantos deixaram de fazer suas escolhas partidárias para expressar o inconformismo com a política tradicional".

O percentual de votos nulos ou brancos no segundo turno foi o maior registrado desde as eleições municipais de 2000. Foram 13,3% em todo o País, segundo dados preliminares do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em 2012, o índice foi de 9,2%.

O senador afirma que esse fenômeno precisa ser entendido e assume a necessidade de oxigenação dos partidos. "Este é o momento de resgatar a boa política, revesti-la de significado para os que anseiam por maior participação", defende.

O tucano cita ainda uma PEC de sua autoria que estabelece uma cláusula de barreira para partidos nanicos, que segundo ele, serve para expurgar "aqueles que servem apenas como legendas de aluguel".

Com previsão de ser votada no plenário do Senado neste mês, a PEC 36/2016 acaba com as coligações partidárias nas eleições proporcionais. O texto estabelece também que para ter acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV e rádio os partidos precisam alcançar pelo menos 2% dos votos válidos a partir das eleições de 2018.

Os antipolíticos

Eleito com 52,98% dos votos válidos, Kalil destacou durante a campanha o fato de ele não ser um político e não contar com o apoio de nenhum cacique do Estado. Essa foi uma das críticas ao concorrente, deputado federal e apadrinhado por Aécio.

Filho do ex-presidente do Clube Atlético Mineiro Elias Kalil, foi presidente do conselho deliberativo e diretor de futebol, eleito presidente do 51º mandato do clube em 2008, cargo que ocupou até 2014.

O novo prefeito também comanda a Erkal Engenharia, que em setembro teve falência decretada pela Justiça de Minas Gerais devido a um débito de R$ 88.000,00. A decisão foi suspensa posteriormente.

Kalil também foi condenado na Justiça Federal sob acusação de apropriação indébita previdenciária por deixado de repassar ao INSS contribuições recolhidas de funcionários na empresa.

As acusações foram usadas por Leite durante a campanha. Em um debate eleitoral, o ex-cartola chegou a contestar: "Roubo, mas não pago propina”, disse. Em seguida, acusou o tucano de receber dinheiro de Furnas.

Kalil chegou a usar o discurso de "homem do povo" para justificar as dívidas trabalhistas. “Eu não sou deputado, sou igual a você que está aí, que é pobre, sofre, tem que pagar conta (…) Se eu devo é porque eu tô apertado.” O patrimônio dele, declarado à Justiça Eleitoral, é de R$ 2,8 milhões.

Em 2014, Aécio perdeu em Minas Gerais para Dilma Rousseff no número de votos na disputa presidencial. No mesmo ano, seu candidato ao governo do Estado, Pimenta da Veiga (PSDB) foi derrotado pelo petista Fernando Pimentel.

Em São Paulo, com a máxima "não sou político, sou um gestor", Doria conquistou a prefeitura com 53,29% dos votos.

Apresentador de programas de entrevistas, ele é criador e presidente licenciado do Grupo Doria, que reúne seis organizações, entre as quais o Lide — Grupo de Líderes Empresariais.

A associação tem cerca de 1,7 mil empresas nacionais e multinacionais cadastradas, que, segundo o site do Grupo Doria, respondem por 52% do PIB privado brasileiro. Ao TSE, o tucano declarou um patrimônio de R$ 179,7 milhões.

O empresário se tornou candidato após Andrea Matarazzo desistir das prévias internas do PSDB, o que provocou um racha na legenda. No início, a candidatura tinha resistência de nomes de peso no partido, como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Aécio. Ao final da disputa, o presidente do partido e o ex-presidente chegaram a pedir votos para o candidato na TV.

O único fiador consistente do empresário durante toda a campanha foi Alckmin, que almeja se lançar na disputa pelo Planalto em 2018.

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