Huffpost Brazil

Pressionado por greve, Maduro se compromete a dialogar com oposição

Publicado: Atualizado:
MADURO
Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro (à dir.), cumprimenta Jesus Torrealba (à esq.) líder da MUD | Handout . / Reuters
Imprimir

Em meio a uma crise política que pode custar seu mandato e agravar ainda mais a situação de caos na qual vive a Venezuela atualmente, o presidente Nicolás Maduro deu início a conversas com a oposição.

"Quero manifestar, diante do representante do papa Francisco, como fiz há alguns dias em Roma, meu agradecimento e meu compromisso absoluto como presidente da República e líder do Movimento Bolivariano e Revolucionário da Venezuela com esse processo de diálogo", afirmou o mandatário, citado pelo jornal local El Universal.

O objetivo das conversas é, segundo Maduro, buscar pontos de encontro entre governo e oposição em função dos interesses da grande maioria.

Já seus adversários suspeitam ser uma estratégia para ganhar tempo e aliviar a pressão sofrida pelo impopular líder socialista.

O encontro, que contou com a participação da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e foi mediado pelo representante do Vaticano Claudio María Celli teve, como principal conclusão, o compromisso de que o governo avalie vários casos de opositores políticos de Maduro que estão presos.

Na última semana, a MUD convocou uma greve geral, que só foi enfraquecida pela ameaça de Maduro de fechar negócios que baixassem as portas.

O governo prometeu se apropriar de qualquer empresa que respeitasse a greve, e enviou inspetores para ter certeza de que iriam funcionar. Além disso, colocou agentes de inteligência do lado de fora da maior fabricante de cerveja e alimentos da Venezuela, a Polar, que trabalhou normalmente.

Diante da possibilidade de serem presos se incentivassem a paralisação, os proprietários de negócios disseram que a decisão caberia a cada empregado em particular.

Para a próxima quinta-feira (3), a oposição convocou uma grande caminhada até o Palácio de Miraflores, sede da Presidência.

O próximo encontro entre governo a oposição está marcado para o dia 11 de novembro, e até lá, o Vaticano pediu que sejam enviados - de ambas as partes - sinais "autênticos" de diálogo.

"Que se destaque a boa vontade de ambas as partes, o país está esperando sinais autênticos para compreender que o diálogo é uma realidade e algo muito sério", afirmou Celli, que disse ainda que o encontro já é algo muito positivo "mas é necessário olhar para frente".

A mediação do Vaticano no processo foi um pedido do próprio Maduro, que encontrou o papa Francisco na última semana. A expectativa é alta, principalmente após o papel diplomático desempenhado pelo Vaticano no restabelecimento de laços entre os EUA e Cuba, em 2014.

Segundo a Folha de S.Paulo, chanceleres dos quatro países fundadores do Mercosul –Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai– resolveram esperar a conclusão das conversas para apenas então debater uma eventual suspensão da Venezuela do bloco, por conta da cláusula democrática do bloco.

A crise política da Venezuela chegou ao ápice há uma semana, com a suspensão do processo de referendo para tirar Maduro do poder. Desde então, a oposição vem intensificando os protestos nas ruas, e no Parlamento, de maioria opositora.

Na terça-feira (25), a Assembleia Nacional aprovou a abertura de um julgamento em larga medida simbólico contra Maduro por violar a democracia, mas o governo minimizou o gesto, que disse ser inócuo.

A oposição diz que o governo Maduro deu um golpe de Estado de fato impedindo o referendo revogatório, que pesquisas indicam que o mandatário perderia. Ele diz que são seus oposicionistas que estão tentando derrubar o governo ilegalmente.

(Com informações da Reuters)


LEIA MAIS:

- Para acalmar população e conter greve na Venezuela, Nicolás Maduro aumenta salário mínimo em 40%

- Parlamento da Venezuela aprova abertura de julgamento de Maduro

- Parlamento venezuelano declara 'ruptura da ordem constitucional'

Também no HuffPost Brasil

Close
Hugo Chávez
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção