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Na reta final da corrida presidencial, escândalo de e-mails volta a atormentar Hillary

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HILLARY CLINTON
Brian Snyder / Reuters
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Investigadores federais norte-americanos conseguiram um mandado para examinar emails recém-descobertos relacionados ao servidor privado de Hillary Clinton, disse no domingo (30) uma fonte próxima à questão, enquanto um importante democrata acusou o diretor do FBI de infringir a lei ao tentar influenciar a eleição presidencial.

O mandado autoriza a Agência Federal de Investigação (FBI, sigla em inglês) a examinar os emails e ver se as correspondências eletrônicas são relevantes para sua investigação sobre o servidor privado de emails usado para trabalhos governamentais por Hillary, candidata presidencial democrata, enquanto ela servia como secretária de Estado de 2009 a 2013.

O diretor do FBI, James Comey, recebeu grande pressão de democratas no domingo (30) para divulgar rapidamente detalhes dos emails, à medida que aliados de Hillary temem que uma controvérsia prolongada possa se estender para além da eleição de 8 de novembro e prejudicar a transição de Hillary caso seja eleita presidente.

O líder democrata no Senado, Harry Reid, enviou uma carta a Comey no domingo sugerindo que ele teria violado uma lei que proíbe o uso de uma posição governamental federal para influenciar uma eleição.

Fontes familiarizadas com o assunto disseram ainda que Comey provavelmente tem poucas informações sobre o que está nos e-mails, pois o FBI não possui autoridade legal para examinar o conteúdo deles detalhadamente.

Críticas

Figuras envolvidas na campanha de Hillary como o diretor John Podesta e o gerente Robby Mook criticaram Comey por enviar uma carta notificando o Congresso sobre a revisão dos e-mails antes mesmo de saber se eles eram relevantes ou irrelevantes.

A carta de Comey era "cheia de insinuações, e pouco factual", disse Podesta no programa "State of the Union" na rede CNN, acusando o diretor do FBI de quebrar precedentes ao revelar aspectos de uma investigação em momento tão próximo às eleições do dia 8 de novembro.

"Pedimos que Sr. Comey se apresente e explique o que está em questão aqui", disse Podesta, acrescentando que a importância dos e-mails não era clara.

"Comey realmente precisa se apresentar e explicar por que tomou esse passo sem precedentes, principalmente depois que ele mesmo em carta ao Capitólio disse que eles podem nem mesmo ser relevantes", disse Podesta. "Ele poderia ter tomado o primeiro passo e realmente olhado os e-mails antes fazer isso no meio da campanha, tão próximo ao dia de votação".

A carta de Comey, enviada em meio a objeções de oficiais do Departamento de Justiça, jogou os últimos dias da corrida à Casa Branca entre Clinton e o republicano Donald Trump em uma profunda confusão com Trump focando na questão como prova de seu argumento de que Clinton é corrupta e indigna de confiança.

Comey, que anunciou em julho que a longa investigação do FBI sobre os e-mails de Clinton durante seu período como Secretária de Estado estava terminando sem nenhuma acusação, disse em carta que a agência iria revisar os novos e-mails que emergiram e determinar sua relevância para a investigação sobre sua manutenção de informações confidenciais.

Hillary

No final de semana, a própria Hillary também se manifestou sobre o caso, que ela classificou como "extremamente preocupante".

"É muito estranho colocar algo assim, com tão pouca informação, um pouco antes de uma eleição", disse Hillary Clinton em um comício no sábado (29) em Daytona Beach, no estado da Flórida.

"Na verdade, não é apenas estranho. É sem precedentes e profundamente preocupante", acrescentou a candidata.

Hillary também acusou o candidato do Trump, de estar aproveitando o anúncio do FBI para pedir também que as autoridades investiguem os conteúdos dos e-mails."Ele [Donald Trump] está fazendo o seu melhor para confundir, desencaminhar e desencorajar o povo americano", disse Hillary.

(Com informações das agências de notícias)

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