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Capitais elegem oito prefeitos de 'primeira viagem', mas 60% deles pertencem a clãs políticos

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Montagem/Divulgação
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Com o fim do segundo turno das eleições municipais, as cidades brasileiras já têm seus novos prefeitos para os próximos quatro anos. Nas 26 capitais brasileiras, 14 prefeitos conquistaram a reeleição e outros quatro ex-prefeitos conseguiram voltar ao cargo a partir de 2017. Mas um grupo de oito políticos vai estrear no cargo de prefeito. Não são políticos sem experiência: possuem um currículo vasto no Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e em Câmaras de Vereadores.

No entanto, todos os novos eleitos tentaram se descolar da imagem do político tradicional, vendendo ao eleitor a ideia de um gestor assumindo um cargo político. Foi a tática para vencer os governos de continuidade. Mas se a capa é de "novo político", na contracapa os sobrenomes são da "velha política". Cinco prefeitos eleitos souberam usar as credenciais da família para conquistar o eleitor. São candidatos lançados pelos clãs políticos, normalmente formado por filhos, mulheres, netos e sobrinhos de políticos tradicionais em diferentes regiões brasileiras.

Na região Centro Oeste, por exemplo, os novos prefeitos das capitais de Cuiabá (Mato Grosso) e de Campo Grande (Mato Grosso do Sul) levam na bagagem o sobrenome Trad e Pinheiro, duas famílias políticas tradicionais na região.

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Marquinhos Trad, do PSD, venceu a eleição com 58,77% dos votos em Cuiabá

Em Campo Grande, o deputado estadual Marquinhos Trad é o 22º político da família com mandatos públicos. É quase como uma dinastia em Mato Grosso do Sul, que vai completar 60 anos em 2019.

Desde 1959, quando Nelson Trad foi eleito vereador de Campo Grande, a família não deixou de ocupar cargos políticos. Antes da eleição deste ano, o clã chegou a fazer até pesquisa qualitativa para definir o candidato do clã. Marquinhos, do PSD, venceu o irmão, Nelson Trad Filho (PTB), que é ex-prefeito de Campo Grande, e o primo Luis Henrique Mandetta (DEM), que é deputado federal pelo Mato Grosso.

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Pinheiro venceu o candidato do PSDB, Wilson Santos, com mais de 60% dos votos válidos

Na capital vizinha, Cuiabá, o clã Pinheiro recuperou forças com a eleição de Emanuel PinheiroPMDB, filho do ex-deputado federal Emanuel Pinheiro da Silva Primo. Emanuel conseguiu recuperar o histórico político de seu tio, o ex-senador Jonas Pinheiro, expoente da família na política, e que faleceu em 2008.

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Marchezan somou 60,5% dos votos válidos e venceu o atual vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, do PMDB

No sul do país, o novo prefeito de Porto Alegre conseguiu colocar pela primeira vez o PSDB no poder da capital gaúcha. Além de expandir a supremacia tucana nas capitais - fortalecido nestas eleições municipais, com sete capitais - Nelson Marchezan Júnior, atual deputado federal, expandiu o currículo do sobrenome Marchezan na política. Ele é filho de Nelson Marchezan, ex-deputado federal do partido Arena, durante a Ditadura Militar. Marchezan foi líder do governo João Figueiredo, entre 1979 e 1985.

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Ex-bispo da Universal, Crivella liderou desde o primeiro turno no Rio

No Sudeste, a herança política quebra paradigmas. Marcelo Crivella, prefeito eleito do Rio de Janeiro, não tem um sobrenome famoso ou um clã político por trás da sua candidatura. Mas é sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, que impulsionou a campanha do bispo licenciado Crivella.

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Com o jargão "não sou político, sou empresário", João Doria surpreendeu em São Paulo e foi eleito em primeiro turno

Em São Paulo, com o jargão "não sou político, sou gestor", João Doria, do PSDB, reativa a herança política do pai. João Agripino Doria era deputado federal, mas foi cassado pelo regime militar de 1964 e obrigado a se exilar em Paris, na França.

Na contramão dos clãs políticos, apenas três prefeitos se elegeram sem depender do sobrenome famoso. Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PHS), ex-presidente do Atlético Mineiro, estreiou na política usando o recall dos eleitores com sua gestão no futebol. Em Florianópolis, strong>Gean Loureiro (PMDB) a candidata do clã político Amin, Angela Amin. Gean foi vereador por cinco mandatos consecutivos antes de assumir a prefeitura da capital catarinense.

No Norte do País, o novato é o Doutor Hildon, do PSDB, que é o novo prefeito de Porto Velho, em Rondônia. Natural de Recife, em Pernambuco, mudou-se para Rondônia em 1992, onde assumiu o cargo de promotor no Ministério Público e, posteriormente, como professor de Direito.

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