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Nos últimos dias antes da eleição nos EUA, quais os desafios de Hillary Clinton e de Donald Trump?

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HILLARY
Montagem/Agências
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Se antes estava em uma calmaria e - por que não?! - até em um certo clima de "já ganhou", a candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, atravessa um novo momento de turbulência desde sexta-feira (28), quando o FBI anunciou ter reaberto as investigações acerca do uso de servidores privados enquanto ela era secretária de Estado.

A menos de uma semana do dia das eleições nos Estados Unidos, 8 de novembro, quando a maioria dos eleitores americanos vai às urnas para definir quem será o sucessor de Barack Obama, a equipe da democrata trabalha para conter os danos do anúncio de James Comey, diretor do FBI.

Entrevistados pelo HuffPost Brasil, analistas e professores de Relações Internacionais são unânimes em declarar que os acontecimentos dos últimos dias trazem ainda mais incerteza para o cenário eleitoral dos EUA.

"A questão dos e-mails injetou um grau de incerteza na campanha que é muito peculiar e diferente de todas as outras [campanhas] e não segue um roteiro previsível", explica o coordenador do curso de MBA de Relações Internacionais da FGV, professor Oliver Stuenkel.

Já para Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, embora os efeitos da investigação ainda não estejam claros, não há dúvidas de que a questão será explorada - ao longo de toda a semana - pelos republicanos. Ela explica que, diante de um clima um pouco mais otimista para Trump, pode ser que a participação de seus partidários no pleito seja mais expressiva.

"Já o eleitor que não gosta de nenhum dos dois pode ficar ainda mais desmotivado, levando a uma participação menor do que em 2012. É possível que a rejeição dos dois pese para o eleitor não participar", explica Holzhacker, sobre uma disputa que desde o começo foi pautada na impopularidade dos dois candidatos.

A hipótese levantada pela acadêmica, de fato, parece se refletir nas pesquisas. Pela primeira vez desde maio, a pesquisa apresentada em conjunto pela ABC News e pelo Washington Post mostra Donald Trump à frente nas intenções de voto, com 46% contra 45% da ex-secretária de Estado - com margem de erro de três pontos percentuais.

Para Stuenkel, no entanto, a questão dos e-mails aponta para um aspecto mais amplo, uma dificuldade "enorme" de observadores e especialistas em compreender por que há uma corrida tão apertada entre um candidato sem nenhum preparo e uma candidata bem preparada. "Hillary é a candidata mais bem preparada em nível federal do que qualquer presidente que tenha chegado ao cargo após a 2ª Guerra", explica. Ele continua:

"O Trump é um candidato um pouco diferente, que tem passado por situações que derrubariam qualquer candidato convencional. Ele, no entanto, faz dessa fala 'não política' uma virtude e consegue sobreviver a essas questões. São questões mais emocionais que acabam por definir essa eleição pois, por um lado há uma vontade de ter algo diferente e por outro lado o medo de dar a responsabilidade para alguém que realmente não tem esse preparo."

Stuenkel aposta em uma performance de Trump nas urnas melhor do que a apresentada pelo candidato nas pesquisas, por causa do estigma social que cerca os apoiadores do magnata. "O voto do Trump é suprimido, não aparece nas pesquisas mas pode aparecer na votação."

Se o grande desafio de Hillary até o dia 8 de novembro é gerenciar essa crise em torno dos e-mails, Trump precisa não criar mais nenhum novo escândalo. Depois de ver sua candidatura fortemente abalada por uma sucessão de vídeos e acusações de assédio sexual no mês passado, o candidato republicano agora se dá ao luxo de navegar em águas (relativamente) calmas.

"O Trump está tentando não fazer mais nenhuma bobagem, não se movimentar muito, para que ele possa diminuir essa diferença com a Hillary. O que parece é que ele vai se manter calado, não vai arriscar nenhuma proposta ou informação", comenta Rita do Val, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina.

Para a docente, no entanto, o silêncio de Trump vai além de estratégia. "Ele não tem capacidade política, não vai explorar questões mais complexas. Ele vai se manter naquele circo com a questão do muro [na fronteira dos EUA e do México], de culpabilizar o estrangeiro e os imigrantes. Até porque isso vem dando certo, e ele não sabe fazer muito mais do que isso."

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