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Conflito se intensifica em Mosul, e ONU teme por 1,5 milhão de civis

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MOSUL
Ahmed Jadallah / Reuters
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Forças do Iraque apoiadas por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos alvejaram posições de defesa do Estado Islâmico no extremo leste de Mosul com disparos de artilharia e ataques aéreos nesta terça-feira (1), um dia depois de combaterem dentro da cidade pela primeira vez.

Além do impacto dos combates, no entanto, há o temos pela população civil que vive no local: segundo a ONU, pelo menos 1,5 milhão de pessoas seguem vivendo na cidade.

Segundo uma nota divulgada pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, o grupo terrorista está promovendo "realocações forçadas" e usando civis como escudo humano, obrigando-os a sair de vilarejos vizinhos e marcharem até Mosul - o que é considerado crime de guerra.

As denúncias também dão conta de que parte dos civis retirados de suas cidades pelo grupo foram mortos, e seus corpos jogados no Rio Tigre. Os assassinatos, segundo a ONU, são perpetrados quando há suspeita de "deslealdade" ao grupo.

Ainda no comunicado, o Comissariado pede que todas as partes envolvidas no conflito tomem as decidas precauções para minimizar as mortes de civis. Segundo o Guardian, oito pessoas da mesma família, incluindo três crianças, foram mortas após um ataque aéreo comandado pelos EUA nos arredores de Mosul.

Os Estados Unidos reconheceram que "conduziram ataques" na área descrita pelo Guardian no dia 22 de outubro, e afirmou que vai investigar o incidente. De acordo com o irmão de uma das vítimas entrevistado pelo jornal britânico, a família - membros da minoria sunita - preferiu encarar a vida sob o comando do Estado Islâmico do que ir para um campo de refugiados na região.

A Anistia Internacional também advertiu, nesta terça-feira (1), sobre o perigo do uso do fósforo branco como arma química. A substância pode causa queimaduras severas e penetra na pele, nos músculos e nos ossos.

A ofensiva

A ofensiva, que envolve forças regulares do Exército, unidades de elite de contraterrorismo, a polícia federal, combatentes curdos peshmerga e milícias xiitas, é a mais complexa desde a invasão encabeçada pelos norte-americanos em 2003 que depôs Saddam Hussein.

"Rendam-se ou morrerão", disse o primeiro-ministro iraquiano, Haider al Abadi, durante visita à cidade de Shura, 35 km ao sul de Mossul e tirada recentemente das mãos do Estado Islâmico. "As forças de libertação cortarão em breve a cabeça da serpente", acrescentou.

A ofensiva para retomar Mosul começou no último dia 17 de outubro, mas foram necessárias duas semanas para que o Exército conseguisse entrar na cidade, que fica no Norte do país e é considerada a capital do "califado" de Abu Bakr al Baghdadi.

Os comandantes alertaram que a luta pode durar meses.

A conquista do município, em 2014, foi determinante para a ascensão do Estado Islâmico, assim como sua retomada é crucial para derrotar o grupo. As tropas que lutam para tirá-la do EI reúnem 80 mil soldados, entre forças curdas, divisões do Exército e milícias xiitas.

Desde o início da ofensiva, há duas semanas, pelo menos 17.900 pessoas deixaram a cidade - a maioria deles mulheres, crianças e idosos. De acordo com a ONU, o confronto em Mosul pode gerar uma crise humanitária sem precedentes, e até 700 mil podem sair de lá, caso o cenário de agrave.

(Com informações das agências de notícias)

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