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Ministro do PSB reconhece que 'partido não tem uma liderança nacional'

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FERNANDO COELHO FILHO
Ministro Fernando Bezerra afirma que partido se mantém à esquerda | Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados
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De reuniões com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao gabinete do presidente Michel Temer (PMDB). Este foi o trajeto feito pelo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, neste ano levando a bandeira do PSB para ficar sua raiz.

A impressão de que o partido deixou a esquerda é rapidamente desmentida pelo ministro, filho de Fernando Bezerra Coelho, que foi ministro da Integração Nacional de Dilma.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, o ministro diz que há diferença com os dois governos, mas que opiniões divergentes devem ser respeitadas. Ele também nega que o partido tenha deixado sua base ideológica.

Segundo ele, há interesses regionais que não são novos, mas que eram apaziguados pela presença do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos - morto em 2014, em acidente de avião na campanha pela Presidência da República.

"Hoje, o partido ainda não tem uma liderança nacional que seja capaz de aglutinar todos esses interesses regionais", reconhece.

O ministro destaca ainda que, embora a militância torça o nariz para a PEC 241 que limita os gastos da União, é preciso fazer algo pelas contas públicas. “O que está em jogo é se reequilibra as contas ou não”, pontua.

Leia a íntegra da entrevista:

HuffPost Brasil: Ministro, o PSB sempre foi um partido mais à esquerda. A aliança com o PMDB do presidente Michel Temer, assim como o caso de São Paulo, com Márcio França, vice de Geraldo Alckmin, é uma sinalização de mudança de rumo, com distanciamento de sua origem?

Fernando Coelho Filho: Em São Paulo, o partido sempre foi muito próximo ao PSDB. Isso não é de hoje. Desde quando Eduardo Campos e Miguel Arraes estavam no partido... Mas França sempre teve uma ligação muito forte com o PSDB em São Paulo. Não é algo da última eleição para cá, ele foi secretário de Alckmin, sempre tivemos lá algum tipo de posicionamento com o PSDB. É evidente que quando se vira vice-governador de Geraldo Alckmin, essa aliança se estreita, mas é uma relação que já existia. Assim também como temos uma relação mais estreita com o PT na Bahia, no Amapá, mas isso é algo regional que o partido sempre soube conviver com essas diferenças.

Como unificar essas diferenças?

No passado, tínhamos uma liderança nacional que unificava todos esses interesses que era Eduardo. Hoje, o partido ainda não tem uma liderança nacional que seja capaz de aglutinar todos esses interesses regionais. Nós temos lideranças regionais e essas lideranças têm seus interesses regionais e a gente tem que ter muita maturidade para saber conviver com isso e manter o partido unido.

Como fica no plano nacional?

Temos evidentemente algumas divergências que não são de hoje, mesmo quando a gente votava no governo Dilma, em algumas medidas tínhamos algumas divergências. O PSB é o partido mais à esquerda dessa aliança [com Michel Temer] e a gente sempre respeitou muito essas diferenças, as opiniões divergentes. Tenho certeza de que, evidentemente, a gente tem que trabalhar para o governo, mas respeito e sempre estabelecendo diálogo interno no partido.

Pela tendência política, a militância tradicional do PSB seria contra a PEC 241, que limitará os gastos públicos por 20 anos. O senhor tem sofrido pressão para que o partido mude a postura favorável à medida?

O PSB tem uma base social, ativa, mas o que está em jogo é se reequilibra as contas ou não. Temos 12 milhões de desempregados, R$ 170 bilhões de déficit este ano, R$ 140 bilhões de déficit ano que vem e achar que está tudo certo e não precisa fazer nada…

Qual a contribuição que o Ministério de Minas e Energia pode dar neste momento de crise?

Vamos fazer um leilão de energia renovável em dezembro, estamos trabalhando para recuperar as empresas do setor. A Eletrobras foi a empresa que mais se valorizou este ano, a Petrobras também. Estamos trabalhando para poder recuperar e reanimar o setor para ter mais investimento na área de petróleo e gás e de energia elétrica. É uma pauta que não é fácil, você não aperta o botão e resolve isso. Hoje você dá mais ao consumidor de subsídio que o agente da distribuição, então tem muita coisa que precisa ser desarmada, que leva tempo e a gente está fazendo esse trabalho

Com o início da recuperação da Petrobras, dá para dizer que a Lava Jato já é uma sombra do passado?

Acho que não dá para dimensionar porque ainda tem coisa acontecendo, mas eu acho que a Petrobras vem se recuperando. Tanto a Petrobras quanto a Eletrobras. Acho que os acionistas estão percebendo que o problema está sendo tratado de frente, que está sendo feito o que é preciso, com compromisso, que a empresa está sendo tocada da forma que é para ser, com os melhores interesses da empresa e seus acionistas. Tudo isso tem ajudado a melhorar o ambiente.

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