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Estudo revela que prática de ‘mindfulness' pode combater a depressão

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Meditações com técnicas de respiração, ioga e conquistar a atenção plena dos pensamentos e corpo podem ser eficazes na redução da probabilidade de uma recaída em pessoas com depressão e ansiedade, segundo um novo estudo.

A pesquisa, publicada pela revista médica JAMA Psychiatry, revelou que pacientes que recebem terapia cognitiva baseada na prática da atenção plena, ou “mindfulness”, apresentam uma redução de mais de 30% do risco de recaída de depressão, dentro de um período de 60 semanas de acompanhamento, comparados com os que não se submetem a esse tipo de tratamento.

A terapia baseada na atenção plena ensina como focar a atenção na escolha do indivíduo usando a consciência da respiração e as sensações do corpo. Isso desenvolve a atenção plena dos pensamentos e corpo. À medida que a consciência das sensações do corpo aumenta, o indivíduo aprende a não reagir a todas as mudanças e a se tornar menos reativo.

Ian Hickie, professor de psiquiatria da Universidade de Sydney, disse que a terapia cognitiva baseada na atenção plena está ganhando espaço no combate à depressão em comparação com a terapia-cognitivo comportamental padrão.

“Em parte, porque as pessoas gostam de usá-la. É menos teórica — você simplesmente tem de fazê-la; não tem de entendê-la”, Hickie disse ao The Huffington Post Austrália.

“Quando as pessoas experimentam um tratamento que faz diferença, são muito mais propensas a persistir nele.”

Existem muito poucos estudos sobre a prevenção de longo prazo contra a recidiva de depressão, e as pesquisas são focadas principalmente no alívio de curto prazo — manter as pessoas vivas e se sentindo bem.

De acordo com a psicóloga Sarah Francis, do Instituto Melbourne Mindfulness, na Austrália, há uma série de diferentes terapias baseadas na atenção plena, e as pesquisas que comprovam sua eficácia estão aumentando.

A neurociência tem identificado mudanças neurológicas que ocorrem nos cérebros de pessoas que se submetem a essas terapias baseadas na meditação.

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"A terapia cognitiva baseada na atenção plena está ganhando espaço no combate à depressão”, disse Hickie.

Francis — que tem especialização e experiência na teoria e prática da atenção plena — disse que os psicólogos com os quais trabalha utilizam principalmente a terapia cognitivo-comportamental integrada à atenção plena (MiCBT, na sigla em inglês), que é semelhante ao modelo focado apenas na prática de “mindfulness”.

“Uma das características da depressão é o pensamento ruminativo — dar voltas e voltas em torno de nossas dificuldades ou pensamentos conflitantes”, disse Francis.

“Os exercícios de atenção plena são concebidos para tornar o paciente consciente do que acontece com sua mente e corpo em todos os momentos e aprender a assumir o comando.”

Quando aprender os exercícios de meditação, o paciente terá as ferramentas para administrar seu bem-estar através dos altos e baixos da vida.

Francis realizou um estudo com nove programas de oito semanas consecutivas utilizando a terapia cognitivo-comportamental integrada à atenção plena. Em 80% dos casos, os pacientes apresentaram uma melhora significativa da ansiedade, depressão, estresse, atenção plena e satisfação com a vida em geral.

“Assim que você percebe que sua mente se desviou, você a traz de volta”, explicou Francis.

“O quanto mais você puder fazer isso, mais capacidade terá para decidir o foco de seus pensamentos. Da mesma forma, assim que percebe algumas sensações, você aprende a permanecer com elas e deixar que se resolvam sem reagir”, disse Francis.

“A quantidade de pesquisas nesta área aumentou significativamente nos últimos cinco anos, e estamos animados em planejar um ensaio controlado aleatório usando a MiCBT com a Universidade Monash este ano.”

Os profissionais são cada vez menos necessários quando os pacientes focam na utilização do esporte ou práticas baseadas na atenção plena para combater a depressão, ansiedade, estimulação e agitação, segundo Hickie, da Universidade de Sydney.

Muitas pessoas preferem essas estratégias porque estão no comando de si mesmas.

“Elas podem praticá-las sem a ajuda de profissionais e incluí-las em seu dia a dia”, acrescentou Hickie.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost AU e traduzido do inglês.

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 141, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis. O HuffPost Brasil possui também uma série de reportagens sobre a prevenção do suicídio e a importância de se falar a respeito.

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