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Policiais armados invadem Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST, na Grande São Paulo

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ESCOLA MST
Divulgação/MST
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Policiais armados fizeram uma operação dentro da Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, na Grande São Paulo, na manhã desta sexta-feira.

De acordo com o Movimento Sem Terra (MST), que administra a escola, dez viaturas da polícia civil chegaram na escola 9h25, pularam o portão e entraram pela janela.

Em nota, a Polícia Civil do Paraná, responsável pela operação, diz que buscava "prender quatorze pessoas de uma organização criminosa suspeita de furto e dano qualificado, roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado, lesão corporal, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e irrestrito e constrangimento ilegal”.

Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, outros 10 de busca e apreensão e ainda dois de condução coercitiva contra integrantes do movimento no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Duas pessoas que estavam na escola foram detidas. O movimento, entretanto, argumenta que os policiais não tinham ordem judicial.

Ainda segundo o MST, os estudantes foram agredidos e as armas usadas não eram de borracha. "Os estilhaços de balas recolhidos comprovam que nenhuma delas são de borracha e sim letais”, diz trecho da nota do movimento. Nas gravações, é possível ouvir os estudantes pedindo calma.

"O MST repudia a ação da polícia de São Paulo e exige que o governo e as instituições competentes tomem as medidas cabíveis nesse processo. Somos um movimento que luta pela democratização do acesso a terra no país e a ação descabida da polícia fere direitos constitucionais e democráticos”, diz o MST.

A operação

Segundo a polícia, a investigação começou em março de 2016, após a invasão da Fazenda Dona Hilda, em Quedas do Iguaçu, quando empregados da propriedade foram mantidos em cárcere privado por horas e sob a mira de armas de fogo.

"O dono da terra disse à polícia que após a invasão sumiram cerca de 1.300 cabeças de gado e que teve um prejuízo estimado em R$ 5 milhões no total de danos à propriedade.

Os bois eram transportados com documentação irregular e a investigação apontou que uma parte destes animais foi vendida pelos integrantes do MST.

Os alvos desta ação policial também cobravam uma taxa em dinheiro (de até R$ 35 mil) ou sacas de grão para autorizar que os donos fizessem a colheita da própria plantação”, diz a Polícia do Paraná.

A escola

A escola é direcionada a formação de militantes, com capacidade para 200 estudantes. O local foi construído com o trabalho comunitário dos militantes de assentamentos e acampamentos de todo País. Inaugurada em 2005, a escola investe em aulas teóricas e práticas, com destaque para agroecologia, arte e cultura, América Latina, Economia, Educação, Direitos Humanos, Movimentos Sociais e a Questão Agrária.

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