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Este professor deu uma aula sobre gênero ao responder alunos sobre sua sexualidade

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O professor Vitor Fernandes com turma de alunos | Reprodução/Facebook
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Era para ser mais uma aula de antropologia, porém, a dúvida dos alunos em relação à sexualidade do professor Vitor Fernandes abriu espaço para uma discussão sobre gênero, machismo e homofobia na sala de aula.

Em seu perfil do Facebook, o professor relatou que uma de suas alunas questionou se ele era gay. Ele poderia ter respondido apenas 'sim' ou 'não', mas preferiu investigar o que levou aos alunos a imaginarem que esta seria a sua opção sexual.

"Talvez você se pergunte por que eu não neguei com veemência e encerrei o assunto? Por que debati algo pessoal com adolescentes de 15 anos em média? Primeiro: qual o problema em ser gay? Porque negar isso com veemência? É crime? Imoral? Não. Ser gay ou hétero para mim é como ser flamenguista ou botafoguense. Não tem nada de bom ou ruim em nenhum dos dois. Segundo: Acho que foi a melhor das oportunidades de debater um assunto tão delicado e proporcionar o acesso à uma outra visão de mundo aos alunos."

Para entender o que levou os alunos a pensarem que o professor era gay, ele listou no quadro os principais argumentos dos adolescnetes:

-Uma aluna me deu mole e eu não 'peguei'.
- Coloco às vezes a mão na cintura
- Gestos e fala característico de homossexual (segundo dois garotos apenas)
- Não fala de relacionamentos, namorada, nem da vida pessoal, o que fez no fim de semana, etc. E outros profs falam...
- Sou professor novo, moderno, simpático. Isso n é característica masculina.
- Tem outros alunos comentam que eu sou gay
- Sou vaidoso, me cuido esteticamente.
- Quando os alunos me perguntaram se eu era gay, não neguei agressivamente, mas debati o assunto. Só no final disse que não era. Não provei que era hétero mostrando fotos minha com alguma namorada, etc
- Não sou machista
- Tenho 30 anos, não casei e não tenho filhos. Todos as pessoas e trinta anos que eles conhecem já casaram e tiveram filhos. Só gays chegam aos 30 sem casar.
- Tenho amigos gays.

Diante das exposições dos "motivos", Fernandes aproveitou a oportunidade para discutir com os adolescentes quais os padrões impostos pela sociedade que levam à criação dos estereótipos, inclusive do "homem de verdade".

"Eu resolveria facilmente o 'problema' mostrando foto com alguma mulher com que fiquei, mas porque eu me preocuparia em provar a heterossexualidade como quem prova a inocência. Porque usaria uma mulher como prova de algo? Pode parecer engraçado para muita gente ler isso e pra mim foi. Muito. rs Mas para eles não. É o que pensam mesmo. Parece anos 1940, mas é 2016.Precisamos debater gênero e sexualidade nas escolas, mais do que nunca!"

O post de Vitor Fernandes viralizou. Em comentários, os usuários apoiaram a atitude do professor.

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