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Paulo Betti: 'Continuo pensando que é melhor escolher candidatos à esquerda'

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PAULO BETTI
Paulo Betti defende políticos de esquerda | TV Globo
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Veterano da Rede Globo, Paulo Betti conversou com o HuffPost Brasil na última segunda-feira (31), durante festa de lançamento de Rock Story, nova novela das 19h da emissora. Ele falou um pouco sobre seu personagem na trama e o engajamento político nas redes sociais.

No folhetim, o ator interpreta Haroldo Sabóia, um homem com passado humilde, que começou a carreira como lavador de pratos e, a custa de muito trabalho, se tornou dono de uma churrascaria, a Boi Amigo. A trajetória do empresário faz lembrar o termo meritocracia, tão em voga no Brasil nos últimos tempos.

Betti comentou como é dar vida a um brasileiro em ascensão na classe média: “Ele é um cara que preza muito o fato de ter saído de baixo. Esse é um valor muito forte dele. Eu acho interessante poder representar essa possibilidade de ascensão. Sabemos que não é fácil, mas é possível”, diz.

A simpatia pelo personagem talvez tenha ligação com a sua própria história de vida. Filho de uma empregada doméstica e um servente de pedreiro, Betti teve uma infância humilde.

“Minha mãe era analfabeta e por isso valorizava muito o estudo. Adquiri uma disciplina praticamente militar de leitura e estudos porque eu precisava ajudar meus pais e não atrapalhá-los. Essa vivência me deu um senso de responsabilidade muito novo. Eu era arrimo de família e não pude ser um jovem revoltado. Essa questão da escassez do dinheiro também foi importante na minha formação.”

Uma das boas recordações dessa fase “sofrida” de sua vida é a escola pública em que estudou na pequena cidade de Rafard, em São Paulo. “Era uma escola boa. Os patrões da minha mãe provavelmente a ajudaram a conseguir uma vaga para eu estudar lá e não ficar à toa enquanto ela trabalhava”, revela.

O ator acredita que essa vivência próxima à pobreza o ajudou na construção de sua consciência política. Conhecido por expressar opiniões sobre governantes e governos nas redes sociais, ele diz não se arrepender das bandeiras que levantou até agora, mas também não acredita que posicionamento político seja um dever do artista.

“Essa é uma questão que sempre ponderei. Eu não consigo ficar quieto. Eu posso até errar, mas não consigo ficar no muro. Acredito que quem gosta de se expressar [politicamente] deve se expressar. E quem não gosta não deve", reflete.

Nas últimas semanas, o ator apoiou Marcelo Freixo (PSOL), candidato à prefeitura do Rio derrotado por Marcelo Crivella (PRB). E declarou esse apoio em suas redes sociais.

“Eu sempre me expresso a favor daquelas propostas ou políticas que favorecem as pessoas que são parecidas com o que eu era no passado”, justifica.

Decidi meu voto

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“Eu poderia fazer uma transição e defender candidatos que são bons para o que eu sou hoje. Então, no caso, eu deveria escolher candidatos mais à direita, para me favorecer mais. Mas eu continuo pensando que é melhor escolher candidatos à esquerda, porque eles idealmente vão lutar pelos mais necessitados, de uma forma mais honesta e menos falsa”, conclui.

* O jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite da TV Globo.

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