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4 olhares sobre o que o Rio de Janeiro precisa para ser a 'cidade do futuro'

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favelas rio de janeiro

Qual o futuro das cidades? Algumas das respostas óbvias são: mais ciclistas, menos carros - e elétricos, de preferência - e espaço comuns para convivência de diversas classes sociais. Esse parece ser o caminho adotado pela maioria das grandes capitais Brasil afora, mas o que podemos fazer para criar as nossas próprias soluções?

Jaílson Silva, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor da ONG Observatório de Favelas provocou. Para ele, é hora de passarmos a falar em outros tipos de "mobilidade" se quisermos imaginar um futuro promissor para cidades como o Rio.

Para ele, é preciso quebrar o "paradigma da ausência" e do lugar que nada tem, que cerca as regiões mais pobres, e passar a enxergar as favelas como espaços criativos e vivos.

“É preciso garantir a mobilidade educacional, cultural e, principalmente, a mobilidade simbólica”, afirma. “Se não reconhecermos a favela como constituinte da cidade, não a reconheceremos como espaço importante para a sustentabilidade, porque a favela, diferente do paradigma da ausência que é comumente imposto, é o lugar da invenção por excelência.”

Ele acredita que os moradores dos bairros periféricos, pelo abandono do poder público e pela falta de acesso a todos tipos de bens, acabam formulando soluções inteligentes por eles mesmos.

favelas rio de janeiro

Favela Santa Marta, na zona sul do Rio

O geógrafo da UFF exemplifica sua fala com o Teleférico do Alemão - que está fora de circulação e pode ficar até 6 meses assim. Para Jaílson, por não ouvir os moradores, os governos do Estado, federal e da cidade acabaram criando um "elefante branco". "É uma obra despropositada desde o início. Os moradores do Alemão já haviam criado formas para lá. Já havia o 'cabritinho' [espécie de carreto para a mobilidade dos moradores]. O problema lá é de saneamento", comenta Jaílson.

Enxergar a cidade como um todo - e monitorá-la - é uma das apostas da prefeitura do Rio. Para Pedro Junqueira, diretor do Centro de Operações da capital fluminense, chegou a hora de prefeitos e gestores públicos passarem a ouvir mais as opiniões de quem está de fora. "Governo não é soberania intelectual. Não é só dos gabinetes que saem soluções", aponta.

O que vem aí no futuro? Para ele, maior integração entre setores privado e público, bem como a implementação de sistemas que possam antecipar problemas. “Em primeiro lugar fizemos o diagnóstico, porque é fundamental compreendermos os riscos e estresses de cada área da cidade para sabermos como enfrentá-los. Nesse sentido, as mudanças climáticas estão na base de todas as etapas do nosso trabalho.” Ele fala ainda em "empatia dos órgãos públicos". "Columb, CET-Rio, Guarda Civil... A Olimpíada trouxe a aproximação dos entes públicos do Rio", enumera.

Em linha semelhante pensa Rasmus Valanko, diretor do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). O ideal é que as cidades do futuro - e, principalmente a Cidade Maravilhosa do futuro - criem uma enorme plataforma de dados, que reúna sociedade civil, governos e entidades privadas para, a partir daí, implementar o uso de processos de inteligência artificial. Não é nenhum futurismo nem nada. É apenas explorar as novas possibilidades.

"Qual é o problema? Qual a tecnologia que temos para isso? O que os cidadãos querem e o que eles precisam para conseguir o que querem? Estamos entrando na era da colaboração. Todos vão precisar trabalhar juntos", fala Rasmus.

favelas rio de janeiro

O Rio versão "cartão-postal"

Para ele, quando o assunto é transporte, a ideia é que as empresas tomem frente do processo. O WBCSD, do qual Rasmus faz parte, viaja o planeta divulgando a iniciativa below50, conjunto de boas normas para fomentam o mercado de energia limpa e promovem biocombustíveis. "As pessoas precisam ter acesso a esse tipo de combustíveis."

Mas, para pensar no futuro, o Brasil precisa resolver questões que soam como um passado distante, mas ainda são realidade para milhões de pessoas. A presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, vê o saneamento básico como uma questão de máxima urgência, já que, segundo ela, a falta de condições básicas causa estragos enormes ao País, até mesmo para as empresas.

"Abrimos programas de concessões para os estados para a universalização do saneamento. Chamo isso de agenda do século retrasado. Em uma lista com 200 países, estamos na 112ª colocação. São 50 milhões de brasileiros sem água, 50% da população sem saneamento e apenas 20% com esgoto tratado", detalha a presidente do BNDES. Por vezes, para olhar para o futuro, primeiro é preciso resolver as contas com o passado.

* O repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da organização do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).

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