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Bancos permitem que clientes utilizem o nome social em cartões de crédito

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BARBARA AIRES
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De olho em aumentar a clientela, os bancos estão permitindo que clientes utilizem o nome social em cartões de débito e crédito, sem exigir a alteração do nome de batismo.

Bancos como Santander, Bradesco, Banco de Brasil e a administradora de cartão de crédito, Nubank, já aderiram à política, em nome de mais conforto e respeito aos seus clientes.

A política é seguida à risco pela Nubank, emissora e administradora de cartão de crédito. A empresa não tem agência e você consegue abrir sua conta pelo celular. "Quando o primeiro caso ocorreu, ficamos surpresos de saber da dificuldade que as demais instituições impunham e pensamos: por que não fazer isso?", disse Cris Junqueira, cofundadora do Nubank.

De acordo com Cris, os clientes que desejam usar o nome social em vez do nome de registro não precisam apresentar cópias de documentos, cartas e, muito menos, comparecer à agência ou conversar com gerente. "Eles passam exatamente pelo mesmo processo que qualquer outro cliente para comprovar que são os proprietários daquele CPF - eles tiram uma selfie com o documento de identidade pelo nosso app, e aguardam a liberação do cadastro", explica.

O objetivo de permitir o uso do nome social, de acordo com a cofundadora, é tratar o cliente de maneira que ele se sinta confortável e respeitado "Ou seja, como gostaríamos de ser tratados."

E foi como se sentiu Barbara Aires, que não tinha um cartão de crédito há anos por não conseguir colocar seu nome social nele. Em um post no Facebook, ela relatou que se sentia envergonhada com o nome de batismo.

Além da Nubank, quase todos os maiores bancos do Brasil já aceitam o nome social sem necessidade de mudança no registro civil.

O Santander afirma que desde 2012 permite que o cliente escolha o nome diferente do registro pelo qual quer ser identificado nos cartões e que a opção não se limita à comunidade LGBT.

O mesmo acontece com o Banco do Brasil. Por nota, o banco informou que basta o cliente manifestar a preferência na agência dele que ele consegue alterar o nome do cartão para o nome social. "A partir desse momento, as comunicações do Banco, seja no atendimento presencial, no envio de correspondências ou na identificação em nossos canais digitais respeitarão esta decisão", acrescentou.

Já o Bradesco afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que permite o uso do nome social. Mas, antes disso, o banco faz uma avaliação do cliente, por motivos de fraude.

A Caixa Econômica Federal, por outro lado, ainda não aceita a mudança para o nome social sem alteração documentada. Em nota, a Caixa informou que atende aos clientes apenas se houver alteração no registro civil e conformada junto à Receita Federal do Brasil.

O banco afirma que segue a resolução Nº 2025 do Banco Central, que "proíbe a abertura de conta sob nome abreviado ou alterado, além da emissão de talão de cheques com dados de identificação irregulares."

Procurado pelo HuffPost Brasil, o Itaú não se posicionou até o fechamento da reportagem.

Nome social no Enem e no serviço público

Em abril deste ano, uma medida aprovada pela ex-presidente Dilma Rousseff assegura o uso do nome social nos órgãos da administração pública direta e indireta. O nome do funcionário pode ser colocado no crachá, folha de ponto e no sistema do órgão. A medida foi considerada uma das poucas vitórias da comunidade LGBT, um dos grupos alvos de crime de ódio, homofobia e transfobia.

A medida, porém, foi questionada por parlamentares de partidos como DEM, PRB, PR, PSC e PSDB menos de um mês depois dela ter sido aprovada. Em maio, os partidos protocolaram um Pedido de Decreto Legislativo (PDC) para sustar o ato de Dilma que reconhece os nomes sociais. A proposta, de autoria de João Campos (PRB-GO), expoente da bancada evangélica. ainda não foi analisado.

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) também permite, desde 2014, que estudantes utilizem o nome social, em vez do registro civil. As pessoas trans que pediram o uso do nome social foram tratadas por ele, e não pelo nome no documento.

LEIA MAIS:

- Deputados querem vetar o nome social de travestis e trans no serviço público

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