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Após fama na TV, bilionário Donald Trump chega à Casa Branca

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DONALD TRUMP
Republican presidential candidate Donald Trump speaks to a campaign rally, Monday, Nov. 7, 2016, in Manchester, N.H. (AP Photo/Charles Krupa) | ASSOCIATED PRESS
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Muitos acusam Donald Trump, de 70 anos, candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, de não ter experiência política, de ser um "outsider". Os números, porém, não autorizam essa afirmação: Donald Trump recebeu 13 milhões de votos durante a fase das primárias do partido e venceu 16 concorrentes. Os que disputaram com Trump não eram iniciantes, e sim profissionais da política, senadores, governadores e integrantes da cúpula do Partido Republicano.

Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa. Casou-se em 2005 com Melania Trump. Antes disso, ele foi casado e se divorciou Maria Trump e Ivana Trump. Com Melania, ele tem um filho chamado Barron. Com Maria, a filha Tiffany, com quem se reconciliou recentemente, depois de um relacionamento conturbado. Com Ivana, ele tem três filhos, Eric, Ivanka e Donald, que ocupam funções de comando nas empresas de Trump.

Empresário bilionário

Fred Trump morreu aos 93 anos, em 1999, deixando para Donald uma fortuna de US$ 250 milhões. Porém, os biógrafos consideram que Donald Trump já era milionário 20 anos antes, quando iniciou a compra de vários edifícios em Nova York. Essa foi uma fase ascendente da vida do empresário porque ele comprou, em 1983, um antigo prédio que depois se transformou no Trump Tower, e também o Trump Plaza, e vários cassinos em Atlantic City, no estado de Nova Jersey.

Nos anos 90, Trump sofreu grandes e chegou a declarar falência por três vezes. Em 1990, um de seus cassinos deixou de honrar pagamentos. Para pagar as dívidas, Trump foi obrigado a vender, em 1992, outros cassinos em Atlantic City. Em 1994, foi a vez de sua rede de hotéis decretar falência. E em 2009, sua empresa de entretenimento também pediu falência.

O que ajudou Donald Trump a superar os prejuízos foi uma ajuda inesperada que o governo deu para os pequenos negócios de Nova York afetados pela tragédia de 11 de setembro de 2001, quando um ataque terrorista destruiu as torres gêmeas do World Trade Center. O bilionário, que costuma dizer que pretende comandar a nação norte-americana como se fosse seu próprio negócio, foi uma das muitas pessoas ricas que usaram uma brecha na legislação para captar dinheiro praticamente sem juros para suas empresas.

Apesar de se considerar alheio à política, Trump sempre teve ambições nesse campo. Por isso, em 1999, ele fez sua primeira tentativa de entrar na Casa Branca. Em sua campanha para ser candidato pelo Partido Reformista, ele disse que gostaria de ter a apresentadora Oprah Winfrey como vice. Oprah Winfrey comanda o talk-show pelo programa The Oprah Winfrey Show, a maior audiência da história da televisão norte-mericana. As propostas incluíam criar um imposto de 14,25% sobre os super ricos para reduzir o déficit federal, banir a discriminação contra homossexuais e universalizar o sistema de saúde. Mas ele desistiu do projeto em razão de disputas internas no partido, que classificou como "uma bagunça total".

Em 2004, Donald Trump passou a ser o apresentador do programa O Aprendiz, transmitido pela rede de televisão NBC. No programa, os participantes disputavam uma série de provas com o objetivo final de trabalhar na Trump Organization. O capítulo final da primeira temporada foi o programa mais visto na televisão americana aquele ano, depois apenas do Superbowl, a final de campeonato do futebol americano. Essa popularidade aprofundou seu interesse em entrar na política. No entanto, em 2011, o empresário faz um anúncio de que jamais iria concorrer à presidência dos Estados Unidos, frase que foi interpretada na época como um anúncio futuro de candidatura.

Um político polêmico

Logo após dizer que não seria candidato, Trump inicia uma nova fase de declarações, sempre controversas, sobre imigrantes, muçulmanos, acordos comerciais com o México e o programa de saúde defendido pelo presidente Barack Obama, conhecido como Obamacare. Na medida em que os anos passaram, em vez de moderar o tom, suas declarações passaram a ser cada vez mais polêmicas.

Críticos interpretavam as declarações de Trump como uma estratégia do empresário para estar sempre nas páginas dos jornais. Em 29 de maio de 2012, por exemplo, Donald Trump disse, na CNN, que o lugar de nascimento do presidente Barack Obama se enquadra em uma questão de opinião. E, numa referência à certidão de nascimento do presidente Obama, que aponta o estado do Havaí como sua origem, Trump disse que "muitas pessoas acham que não era um certificado autêntico".

Em junho de 2015, ele faz dois anúncios diretamente relacionados com suas ambições políticas. No dia 16, ele disse, em uma entrevista no Trump Tower, que iria concorrer a presidência da República; e, no dia 28, ele disse que sairia do programa O Aprendiz, transmitido pela TV NBC. No dia seguinte, a emissora de TV deu a resposta que marcou o início de um relacionamento marcado por conflitos entre o empresário e a mídia norte-americana.

Em resposta, a NBC informou que estava cortando seus laços de negócios com as empresas do bilionário e que não iria mais exibir os concursos Miss USA e Miss Universo, promovidos por Trump (em parceria com a emissora), por causa de "declarações desrespeitosas de Donald Trump sobre imigrantes". A declaração da emissora ocorreu duas semanas após Trump anunciar que iria construir um muro na fronteira mexicana, pago com dinheiro do México, para barrar a entrada de imigrantes ilegais em território norte-americano.

Daí em diante, a história mostra um Donald Trump um pouco mais cuidadoso nos comentários sobre imigrantes e sobre os muçulmanos, que eram os alvos favoritos de suas críticas.

Em julho de 2016, depois de ser homologado como candidato do Partido Republicano, Trump passou a centralizar suas críticas em Hillary Clinton, a candidata do Partido Democrata. Em três debates que ele teve com Hillary, a frase que ficou na memória dos telespectadores foi o momento em que ele chamou Hillary de "mulher desagradável". Em resposta, adversários de Trump, integrantes da cúpula do Partido Democrata disseram que mulheres são desagradáveis quando não aceitam a intolerância contra as minorias e nem aceitam que a mulher seja tratada como objeto. A resposta era uma crítica ao comportamento de Donald Trump que, em um vídeo de 2005, usa palavras desrespeitosas com as mulheres. Pouco depois da divulgação desse vídeo, dez mulheres vieram a público para dizer que foram vítimas de assédio sexual de Donald Trump. A partir daí, Donald Trump perdeu muitos pontos em pesquisas de intenção de votos e recebeu inúmeras críticas de integrantes da cúpula do Partido Republicano.

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