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Putin e outros líderes mundiais comentam vitória de Donald Trump

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Maxim Shemetov / Reuters
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Pouco tempo depois da confirmação de que Donald Trump foi eleito o novo presidente dos Estados Unidos, no início desta quarta-feira (9), líderes de todo o mundo comentaram a vitória do republicano, entre comemorações e preocupações.

Ainda nas primeiras horas de hoje, o presidente russo, Vladimir Putin, enviou um telegrama ao 45º presidente dos Estados Unidos em que diz estar "seguro no diálogo entre Moscou e Washington, que deve se basear no respeito recíproco, atendendo aos interesses dos dois países". Os Estados Unidos e a Rússia são os maiores adversários políticos no cenário internacional, em um conflito ideológico e de interesses que perdura desde a Guerra Fria (1945-1991).

Durante campanha eleitoral à Casa Branca, Putin e Trump trocaram elogios. "Ele representa os interesses das pessoas comuns, que criticam aqueles que estão há anos no poder, gente a quem não agrada a transferência do poder por herança", disse Putin meses atrás, em uma clara referência à Hillary, mulher do ex-presidente Bill Clinton. Com a vitória de Trump, o líder russo comentou "que as relações entre o seu país e os Estados Unidos poderão sair da crise"

Governantes da Ásia e Europa reagiram de forma mais cautelosa, uma vez que a vitória de Trump ainda representa dúvidas e preocupações sobre o futuro da economia. O mercado asiático desabou após o resultado da eleição, e o mercado europeu abriu em queda.

Na China o ministério das Relações Exteriores, Lu Kang, disse que o governo "certamente estava pronto para trabalhar com o novo governo americano".

O ministro das relações exteriores da Coreia do Sul, Yun Byung-se, disse acreditar que Trump manterá a política atual dos Estados Unidos de pressionar a Coreia do Norte sobre os testes nucleares.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, parabenizou Donald Trump e pediu cooperação para promover a paz e a prosperidade na região da Ásia e do Pacífico. "Estou ansioso para trabalhar de perto com Trump, o próximo presidente dos EUA, para fortalecer ainda mais a aliança bilateral e levar a Ásia e Pacífico em direção da paz e prosperidade", disse Abe, em comunicado.

Europa

A ministra da defesa da Alemanha, Ursula von Der Leyen, aliada da chanceller Angela Merkel, descreveu o resultado como um "grande choque" e questionou o futuro das relações com os EUA, que tem sido de paz desde a Segunda Guerra Mundial.

O ministro francês das relações exteriores, Jean-Marc Ayrault, disse que espera trabalhar junto com Trump, mas admitiu que o futuro ainda é incerto, pois a personalidade do novo presidente "deixa dúvidas" sobre muitos assuntos como política de imigração, mudança do clima e sobre a guerra na Síria.

"Parece que será o ano do desastre em dobro para o Oeste", disse o ministro das relações exteriores da Suécia, Carl Bildt, se referindo ao Brexit, votação popular que tirou o Reino Unido da União Europeia. "Apertem os cintos", acrescentou Carl.

Por outro lado, líderes de partidos nacionalistas comemoraram o resultado. A líder da extrema direita na França, Marine Le Pen, parabenizou Trump antes mesmo da divulgação do resultado oficial. "Parabéns ao novo presidente dos EUA Donald Trump e ao povo americano livre", disse Le Pen, em sua conta oficial no Twitter.

Beatrix von Storch, deputada líder do partido anti-imigração Alternative for Germany (AfD) disse que a vitória de Trump é um sinal de que os cidadãos ocidentais de todo o mundo querem "uma clara mudança na política."

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, também parabenizou o novo presidente dos Estados Unidos e desejou "bom trabalho" ao novo líder da Casa Branca. "O mundo saúda a eleição de Trump. Em nome da Itália, eu o parabenizo e desejo um bom trabalho, convicto de que a amizade permanecerá forte e sólida", disse o premier.

Muito próximo de Barack Obama, Renzi fez diversas manifestações públicas a favor da candidata derrotada Hillary Clinton. Hoje, porém, ele reconheceu que a eleição do magnata gerou "um fato político novo que, junto com outros, [eles] demonstram que nós estamos em uma nova temporada" da política mundial.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, líder do partido conservador, também parabenizou Trump pela vitória nesta quarta-feira e reafirmou as relações entre os países. "A Grã-Bretanha e os EUA têm uma longa e especial parceria baseada nos valores de liberdade e democracia. Nós somos, e reafirmo isso, fortes e aliados no comércio, segurança e defesa."

América Latina

A eleição de Trump significou uma ameaça aos imigrantes -- sobretudo os imigrantes latinos -- que vivem ou têm relações de negócios com os Estados Unidos. O país mais impactado com a vitória foi o México.

Quando a contagem de votos terminou, o jornal El Universal anunciou: “Trump ganha a presidência dos EUA; o peso (mexicano) em queda livre”. Os mercados reagiram às declarações de Trump que, durante a campanha, propôs acabar com o Nafta – o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio com o Canadá e o México, em vigor desde 1994.

O acordo, que reduz barreiras alfandegárias, levou ao fechamento de fábricas nos Estados Unidos. As empresas reduziram seus custos, mudando-se para o território mexicano, onde a mão de obra é mais barata. Montavam eletrodomésticos e automóveis, com componentes importados, e exportavam o produto acabado ao mercado norte-americano e terceiros mercados.

Trump sugeriu cobrar um imposto de 35% sobre as importações mexicanas, o que teria sério impacto no país vizinho, além de construir um muro na fronteira, para impedir a entrada de imigrantes ilegais.

Antes da vitória do republicano se confirmar, o ex-presidente do México, Vicente Fox, disse durante um fórum em Dubai que as relações com os Estados Unidos deverão ser difíceis com Trump no comando.

O presidente se mostrou "chocado" com a notícia. "Não vamos pagar por maldito muro", disse se referindo ao muro que Trump pretende construir, utilizando o dinheiro e mão de obra de imigrantes mexicanos ilegais.

"E se continuar com essa tentativa de fazer o muro, vai aprender que somos mexicanos, que somos pequenos, mas muito picantes."

Na Bolívia, o presidente Evo Morales reagiu pelo Twitter. Ele disse que nos Estados Unidos “valem mais as armas que os votos” e elogiou as revoluções populares da Venezuela, do Equador e da Nicarágua.

(Com Agência Brasil)

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