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Vitória de Trump coloca imigrantes irregulares em risco, mas eles estão dispostos a resistir

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Manifestantes protestam contra Donald Trump diante da Casa Branca, em Washington, D.C., na noite da eleição presidencial.

WASHINGTON ― A festa da noite da eleição na sede da organização United We Dream (Unidos Sonhamos) deveria ser para comemorar uma vitória. Cerca de 30 pessoas, muitas delas imigrantes não documentados, se reuniram para assistir aos resultados projetados na parede. Havia pizza, vinho e balões azuis e cor de laranja.

Flores de papel pendiam do teto. A previsão original era que a festa terminasse por volta das 23h30, idealmente após a vitória prevista da candidata presidencial democrata Hillary Clinton.

Em vez disso, os presentes assistiram enquanto o candidato republicano Donald Trump – o homem que propôs destituí-los de suas autorizações de trabalho, erguer uma muralha na fronteira sudoeste do país e aumentar as deportações – foi vencendo em Estados suficientes para tornar sua vitória nacional provável.

Por volta das 23h da terça-feira, quando o clima era de pessimismo, embora o resultado ainda não estivesse claro, um organizador desligou o projetor. As pessoas andaram pela sala e falaram de como estavam se sentindo e de suas esperanças para dali em diante. Em dado momento, elas formaram um círculo, deram-se as mãos e cantaram.

Houve momentos passageiros de alegria: o xerife de Maricota County, no Arizona, Joe Arpaio, não conseguiu se reeleger, assim como o xerife de Harris County, Texas, Ron Hickman. Arpaio é conhecido há muito tempo por fazer o perfilamento racial de latinos e procurar humilhar detentos e imigrantes não documentados.

Ativistas da imigração fizeram campanha pela derrota de Hickman depois de ele ter anunciado planos para renovar um polêmico programa de deportações.

Mas, quando a derrota de Hillary Clinton foi parecendo mais provável, os Dreamers entraram em ação. À 1h da quarta-feira eles fizeram uma passeata da sede de sua organização até a Casa Branca.
Suas palavras de ordem: “Me deportar? Sem chances. Somos indocumentados e estamos aqui para ficar.”

O clima na passeata não demorou a ficar mais pesado. Um homem loiro usando camiseta com o rosto do ex-presidente Ronald Reagan gritou repetidas vezes na cara dos participantes: “Construam o muro!” Mais tarde o homem disse em tom de brincadeira que não era realmente partidário de Trump, apenas defensor da segurança na fronteira.

Várias outras pessoas se juntaram a eles diante da Casa Branca, onde ergueram seus cartazes e explicaram por que estavam protestando. Vários rapazes brancos com bonés dizendo “Make America Great Again” (Fazer a América ser Grande Outra Vez) ficaram assistindo; um deles gritava sobre a construção de um muro.

Outros ficaram em silêncio.
A eleição presidencial tinha o potencial de ser uma vitória enorme para a comunidade de imigrantes indocumentados: muitos deles se organizaram e pediram que seus amigos, vizinhos e familiares fossem votar, já que eles não podiam.

A maioria dos imigrantes indocumentados é formada por latinos, e os primeiros resultados indicam que Trump perdeu o voto latino para Hillary Clinton por margens enormes.

Hillary tinha prometido que, se fosse eleita, protegeria a política da Ação Adiada para os Chegados na Infância, ou DACA, pela qual jovens indocumentados que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças consigam autorização temporária de trabalho.

Hillary disse que também faria o possível para reduzir as deportações, também defendendo nos tribunais o programa do presidente Barack Obama de Ação Adiada para Pais de Americanos e Residentes Permanentes Legais, ou DAPA.

Esse programa não chegou a entrar em vigor. Agora é provável que nunca o seja. Trump disse que também acabará com o DACA. Os planos de deportação de Trump são vagos; agora é provável que o país finalmente tenha uma chance de ver o que implicam concretamente.

Os Dreamers pretendem continuar a lutar.

“Os imigrantes estão declarando um estado de urgência e resiliência”, disse em comunicado à imprensa a diretora executiva da United We Dream, Cristina Jimenez. “Nas próximas semanas, nossas famílias e os membros de nossa comunidade vão precisar lançar mão da força incrível que nos trouxe até este país e que usamos para sobreviver.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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