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Em entrevista, Trump comenta possível proibição de aborto nos EUA

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DONALD TRUMP SPEECH
President-elect Donald Trump gives his acceptance speech during his election night rally, Wednesday, Nov. 9, 2016, in New York. (AP Photo/John Locher) | ASSOCIATED PRESS
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Pouco menos de uma semana após ser eleito presidente dos EUA, Donald Trump falou à CBS sobre uma de suas principais bandeiras de campanha: proibir o aborto nos EUA.

Ao longo dos debates com sua oponente, a democrata Hillary Clinton, ele prometeu nomear juízes "pró-vida" para a Suprema Corte do país e, dessa forma, restringir o direito garantido em âmbito nacional.

"Algumas mulheres, talvez, tenham que ir a outros estados", explicou o republicano, ao afirmar que caso a Suprema Corte revogue a lei, a decisão caberá a cada estado americano. "Há ainda um grande caminho para percorrer, então entenda. É um grande caminho para percorrer".

Ainda é muito pouco claro quais serão as medidas de Trump em relação aos direitos reprodutivos, visto que ele já assumiu várias posturas diferentes sobre o tema. No entanto, revogar completamente o Caso Roe vs. Wade, marco legal de 1973 que garante o direito ao aborto tampouco seria um processo rápido - mas também não é impossível. O vice-presidente Mike Pence também é um ferrenho opositor ao direito ao aborto.

Em março, Trump sugeriu que mulheres que se submetem ao procedimento deveriam ser punidas, mas depois voltou atrás e retirou os comentários.

Ainda falando de decisões da Suprema Corte, o futuro presidente dos EUA garantiu que vai preservar a decisão que legalizou, em todos os EUA, o casamento gay. "Está feito", resumiu.

Em uma fala à emissora CNN, ele também comentou o aumento drástico nas manifestações de ódio contra as minorias desde que venceu as eleições e se revelou "surpreso" em relação ao comportamento do seu eleitorado.

"Parem com isso agora", pediu Trump.

Doações

A organização sem fins lucrativos Planned Parenthood registrou um salto nas doações e na demanda por anticoncepcionais de longa duração desde a eleição, em um momento em que adversários do aborto esperam ganhar força na busca pelo corte do financiamento público à entidade voltada para saúde feminina.

Funcionários da Planned Parenthood disseram que seus financiadores estão preocupados com o impacto da presidência de Trump no acesso a abortos e ao controle de natalidade nos EUA.

A Planned Parenthood, alvo da ira de muitos republicanos por oferecer procedimentos abortivos, está se preparando para uma das batalhas mais duras em sua história de 100 anos.

Ela possui cerca de 650 centros de saúde em todo o país e depende de financiamento público para cerca de metade de sua receita, grande parte vinda do programa de seguro-saúde para pessoas de baixa renda Medicaid.

Com a vitória de Trump na eleição de terça-feira e a manutenção do controle do Congresso norte-americano pelos republicanos, pode ser mais fácil para o legislativo cortar o financiamento da Planned Parenthood e desmontar a Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente do presidente Barack Obama, conhecida como Obamacare, que obriga a cobertura de anticoncepcionais por planos de saúde.

"Houve tentativas nos últimos dois anos de tirar seu financiamento, e faremos tudo que pudermos para tirá-lo", disse Carol Tobias, presidente do Comitê do Direito Nacional à Vida, que se opõe ao aborto. "Estou muito otimista."

Desde a eleição, a Planned Parenthood disse ter recebido quase 80 mil novas doações no país, embora não tenha revelado o valor em dinheiro.

A Planned Parenthood de Illinois disse que a marcação online de consultas para anticoncepcionais de longa duração como dispositivos intrauterinos cresceram quase 50 por cento nos últimos dois dias ante o mesmo período da semana passada. A organização disse que pretende aumentar o número de consultas disponíveis para atender a demanda.

As doações online para a filial do Texas triplicaram na quarta-feira em comparação com a semana anterior, enquanto 125 pessoas contataram o grupo para oferecer ajuda como voluntários, disse Sarah Wheat, porta-voz para a Planned Parenthood do Texas.

(Com informações da Reuters)

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