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Para Barroso, ministro do STF, 'criamos um País repleto de ricos delinquentes'

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LUIS ROBERTO BARROSO
Fellipe Sampaio / SCO/ STF
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Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso defendeu, em entrevista à Folha de São Paulo, a criação de "instrumentos constitucionalmente compatíveis para enfrentar a corrupção".

"Nós criamos um País repleto de ricos delinquentes porque o direito penal não funcionou com a mínima prevenção para esse tipo de criminalidade. No Brasil você é honesto ou não honesto se quiser, porque não acontece nada. Não acontecia, pelo menos."

Questionado sobre a possibilidade de anistia para o caixa dois, em discussão na Câmara dos Deputados, o magistrado disse ser contra "a operação abafa". "Se não aproveitarmos esse momento, vamos continuar nos arrastando na história, liderado pelos piores.

Barroso destacou que é preciso cautela com ações penais e sobre uma possível perseguição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas investigações, afirmou que "quem se dispõe a participar desse movimento do Estado democrático de direito, justo, tem que se despir de suas convicções e preferências políticas".

Por outro lado, o ministro defendeu a condução da Operação Lava Jato e a conduta do juiz Sérgio Moro. "Não há um Estado policial e sim um Estado democrático de direito querendo mudar seu patamar ético e civilizatório, com todas as dores que isso traz", disse ao ser questionado se os limites legais estão sendo rompidos.

Barroso voltou a defender também a criação de um tribunal de primeiro grau especializado para autoridades como forma de acabar com o foro privilegiado.

Sobre o teto de gastos públicos, o magistrado afirmou que é preciso diminuir privilégios e o tamanho do Estado no País. "O modelo no Brasil não é propriamente capitalista. É um socialismo para ricos".

Para o ministro, o Brasil "caminha para frente, mas devagar demais". "O nosso maior problema é a mediocridade, é a escassez de pessoas pensando o país lá na frente", afirmou. "Uma das sensações que me entristecem no Brasil é a gente ser menos do que pode ser", completou.

Para ele, um exemplo é o foco em quem seria o ministro da Fazenda em detrimento da discussão sobre quem ocuparia o Ministério da Educação no início do governo de Michel Temer. "Eu defendo que a educação deva ter o mesmo status, a mesma prioridade."

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