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Temer nega preocupação com possível cassação no TSE e minimiza denúncias na Lava Jato

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MICHEL TEMER
Valter Campanato /Agência Brasil
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Há sete meses na Presidência da República, Michel Temer afirmou que não está preocupado com o processo que pode levar à cassação de seu mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento deve acontecer em 2017.

Autor das denúncias, o PSDB acusa a chapa da ex-presdidente Dilma Rousseff em conjunto com Temer de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014 e denuncia que a campanha foi financiada com dinheiro desviado da Petrobras.

"Se o TSE disser lá na frente, 'Temer, você tem que sair', convenhamos, haverá recursos e mais recursos que você pode interpor, não só no TSE, mas, igualmente, no STF (…) Vamos deixar o Judiciário trabalhar, a PF, o Ministério Público e vamos trabalhar pelo Executivo. Se acontecer alguma coisa, paciência", afirmou em sua mais longa entrevista à imprensa, de 1h30, na edição do programa Roda Viva exibida na noite desta segunda-feira (14).

Sobre as menções na Operação Lava Jato, o presidente disse que recebeu o empreiteiro Marcelo Odebrecht no Palácio do Jaburu porque o empresário queria contribuir para campanhas do PMDB. De acordo com ele, os R$ 10 milhões em doações foram feitos ao diretório nacional do partido e declaradas à Jusitça Eleitoral.

Para o presidente, acusações na Lava Jato não podem decretar a "morte civil" ou a "morte política". Ele negou haver incoerência no senador Romero Jucá (PMDB-RR) assumir a liderança do governo na Casa após ter deixado o Ministério do Planejamento suspeito de interferir em investigações.

Questionado sobre consequências de uma possível prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu em três ações, Temer prevê instabilidade. "Se você me perguntar: 'Se o Lula for preso, causa um problema para o governo?'. Acho que causa. Não só para o governo, para o país. Porque haverá, penso eu, movimentos sociais. E toda vez que há um movimento social de contestação, especialmente a um decisão do Judiciário, isso pode criar instabilidade", disse.

Temer afirmou que tem "legitimidade constitucional" e que não irá interferir na eleição do presidente da Câmara. Também voltou a apoiar a adoção do parlamentarismo por meio de uma consulta popular e negou que será candidato em 2018.

Confira declarações sobre outros temas.

Reforma da Previdência

"É uma reforma para perdurar para sempre, esta é a ideia, mas quem dá a última palavra é o Congresso, e hoje temos apoio muito sólido no Congresso. Nos não vamos mandar [a proposta de reforma] sem antes reunir as centrais para explicar [...] os setores da sociedade, os líderes. Vamos fazer o esclarecimento público. (...) (Vai ser enviada) agora, a reforma da Previdência já está formatada, vai este ano ainda, seguramente".

Ocupações de escolas

"Lamento. Na minha época, você examinava, discutia, chamava pessoas para dialogar e, às vezes, protestava fisicamente. O que vejo hoje – e quando digo isso as pessoas acham que eu fiz ironia, e não é isso, estou dizendo a realidade – é que há muito protesto físico, não há protesto argumentativo, oral, intelectual".

Donald Trump nos Estados Unidos

"Nos Estados Unidos, onde as instituições são fortíssimas, não vamos achar que o presidente chegará e exercerá todo o poder com autoritarismo. Isso não vai acontecer nos Estados Unidos. (…) O que pode ocorrer é, por exemplo, o México, que os Estados Unidos tem uma boa relação, mas há aquelas ameaças de construir muro. Isso tudo pode redimensinar, talvez diminuir a relação dos Estados Unidos com o México e quando quando ele voltar os olhos para a América Latina é muito possível que venha prestigiar as relações Brasil - Estados Unidos."

Marcela Temer

"Já tem quase 15 anos. Eu fazia campanha, fui a Paulínea e fui ao restaurante do tio dela, que me pedia autógrafo, e ela estava lá. A vi, eu estava sozinho, e fiquei entusiasmado. Mas o fato é que, quando fui eleito deputado, ela mandou cumprimentos para mim (...). Eu vi, e me lembrei dela, apanhei o telefone e liguei para a casa dela. Etc, etc, etc. Aquela conversa que vocês conhecem melhor que eu. Marquei um sábado para visitá-la, estavam ela e a mãe dela, e foi aí que tudo começou. Sete meses depois estávamos casados".

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