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Ré há cinco meses, Cláudia Cruz presta depoimento a Sérgio Moro

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EDUARDO CUNHA CLAUDIA CRUZ
EVARISTO SA via Getty Images
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Ré na Operação Lava Jato desde 9 de junho, a jornalistas Cláudia Cruz, esposa do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) presta depoimento nesta tarde ao juiz federal Sérgio Moro.

O interrogatório está marcado para as 14h, na sede da Justiça Federal em Curitiba. Cláudia pode optar por não responder às perguntas de Moro.

A jornalista é acusada de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas. Os investigadores da Lava Jato apontam que ela pagou despesas luxuosas em viagens internacionais com dinheiro desviado da Petrobras.

O patrimônio de Cláudia Cruz saltou de R$ 1.617.519,09, em 1.º de janeiro de 2008, para R$ 4.029.025.65, em 31 de dezembro de 2014. Um crescimento de 149%, segundo dados da Receita Federal.

Segundo a denúncia do MPF, o contrato de aquisição pela Petrobras dos direitos de participação na exploração de campo de petróleo na República do Benin, país africano, da CBH, teria envolvido o pagamento de propinas a Cunha de cerca de 1,3 milhão de franços suíços, correspondentes a cerca de US$ 1,5 milhão.

A propina teria sido paga por Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, proprietário da empresa vendedora, e acertada com o ex-diretor da Área Internacional da estatal, Jorge Luiz Zelada. O esquema teria sido intermediado pelo operador João Augusto Rezende Henriques e paga mediante transferências em contas secretas no exterior.

Parte da propina teria sido destinada a contas no exterior em nome de off-shores ou trustes que alimentavam cartões de crédito internacional utilizados por Cláudia para aquisição de bens e para despesas pessoais dela.

Os registros de gastos da jornalista mostram, por exemplo, 7,7 mil euros na loja da Chanel, em Paris, em janeiro de 2014, US$ 4,4 mil na Prada, em Roma, e US$ 2,2 mil na Victoria’s Secrets, de Miami, entre outros. Foram US$ 854.387,31 em artigos de grife, segundo a acusação.

De acordo com investigações da Lava Jato, documentos da conta da offshore Köpek, na Suíça, apontam a jornalista como titular controladora, inclusive com assinaturas e cópias de documentos pessoais e diversas descrições do perfil do cliente.

O casal teve os bens bloqueados pela Justiça Federal em uma ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal, cobrando R$ 80,67 milhões do parlamentar e mais R$ 17,8 milhões da mulher.

O valor corresponde ao acréscimo patrimonial ilícito de Cunha e Cláudia e ressarcimento do dano causado ao erário na compra de campo de petróleo em Benin.

Moro teve dificuldades em encontrar a esposa de Cunha nos últimos meses. Em agosto, o juiz afirmou que havia "intenção da defesa de ter mais prazo para se manifestar sobre o despacho" após a jornalista não ser encontrada em dois endereços distintos para ser informada de uma audiência das testemunhas de acusação.

Também para a tarde desta quarta-feira, está previsto o depoimento do empresário português Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, acusado de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.

São réus nesta ação ainda o operador João Augusto Rezende Henriques, denunciado por lavagem de dinheiro, por evasão de divisas e por corrupção passiva; e o ex-diretor da Área Internacional da estatal, Jorge Luiz Zelada, acusado de corrupção passiva.

A defesa de Claudia Cruz afirma que a cliente "não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas".

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