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Ex-ministro que defendeu estancar Lava Jato se torna líder do governo Temer

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ROMERO JUCA MICHEL TEMER
Romero Jucá será líder do governo Temer | Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
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Seis meses após deixar o comando do Ministério do Planejamento por suspeita de obstrução à Operação Lava Jato, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) assumiu a liderança do governo de Michel Temer no Senado.

A indicação foi oficializada na edição desta quinta-feira (17) do Diário Oficial. O senador, contudo, tem trabalhado na articulação em favor do Palácio do Planalto desde que deixou o Executivo.

Presidente do PMDB e defensor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Jucá saiu do ministério com apenas 12 dias no cargo, após o vazamento de uma conversa entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

"Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. Tem que ser política. Advogado não encontra solução pra isso não. Se a solução é política, como é política? Tem que resolver essa ***. Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, diz o senador na gravação.

Em junho, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do peemedebista por tentativa de obstrução às investigações. O pedido foi negado pelo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki.

Nesta quinta-feira, Jucá afirmou que não obteve resposta do Ministério Público ou do Supremo sobre "algum tipo de irregularidade, de obstaculação (sic) da Lava Jato da minha parte". Ele repetiu que deixou o cargo em maio para não atrapalhar o governo.

"Se ele [Temer] entende que eu posso ajudar o governo e o País na liderança do governo, eu aceitei e vou trabalhar no sentido de aprovar todas as medidas que possam reestabelecer o fortalecimento da economia, a segurança jurídica e a melhorai em si das condições de vida do Brasil."

Em entrevista ao Roda Viva exibida nesta segunda-feira (14), Temer afirmou que não há incoerência na nomeação. Para o presidente, acusações na Lava Jato não podem decretar a "morte civil" ou a "morte política".

Na vida pública desde a década de 1980, o peemedebista já ocupou o mesmo cargo, de líder do governo, nas gestões de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Investigações

Na Lava Jato, o senador é investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em delação, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que negociou com Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apoio à sua permanência no cargo em troca de propina.

O peemedebista também é investigado por suposto pagamento de propina na construção da usina Belo Monte.

No âmbito da Operação Zelotes, também da PF, a suspeita é de que um grupo de lobistas pagouR$ 15 milhões em propina a Jucá, em troca de favorecimento na tramitação de medidas provisórias de interesse do setor automotivo.

Repatriação

Relator da proposta que revê regras de regularização de recursos mantidos no exterior não declarados, Jucá admitiu a intenção de incluir parentes de políticos no programa. Essa foi a principal polêmica, vetada no texto aprovado pela Câmara em novembro.

"A discussão de [incluir] parentes [de políticos] nós estamos verificando que fórmulas podem evitar injustiças e, portanto, ficar efetivamente definido que um parente com atividades econômicas separadas do política não há porque penalizar esse parente", afirmou em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (17).

De autoria de Renan Calheiros, o texto será votado na próxima terça-feira (22) no plenário do Senado. A tramitação foi agilizada após acordo de líderes da Casa.

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