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Maconha pode combater ansiedade e depressão. E também vício em analgésicos, aponta estudo

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A maconha ainda é bem desconhecida para a ciência. Tirando o fato de que a proibição inibiu as pesquisas durante décadas, há o simples fato de que as centenas de compostos, os chamados canabinoides, podem pregar algumas peças, muitas vezes sem apresentar resultados conclusivos.

É comumente aceito na academia a prescrição da chamada maconha medicinal para doenças físicas como artrite, para combater sintomas de câncer, mas novos estudos sugerem caminhos adicionais para a manipulação da cannabis como medicamento.

Um estudo realizado por pesquisadores canadenses e norte-americanos da University of British Columbia apontou também evidências para um outro tipo de uso da maconha: a redução de danos para medicamentos com alta capacidade de vício, como os analgésicos. Por conter opiáceos, o remédio tem sido usado de maneira completamente desenfreada nos Estados Unidos. O músico Prince, aliás, seria uma das vítimas do vício nos tais "painkillers", que mata 78 pessoas por dia no país de Donald Trump.

Para quem tiver o inglês em dia, vale dar uma olha no vídeo abaixo, do programa Last Week Tonight With John Oliver. O apresentador lembra casos em que americanos forjam contusões ou até fraturas para terem acesso aos opiáceos.

Em seu relatório, publicado na revista Clinical Psychology Review, os pesquisadores encontraram evidências de que a cannabis pode benéficas nesses casos.

"Pesquisas sugerem que as pessoas podem estar usando a cannabis como uma droga de saída para reduzir o uso de substâncias potencialmente mais nocivas, como medicação para dor, os opiáceos", conta Zach Walsh, professor de psicologia na UBC.

O mesmo estudo aponta para evidências de que a cannabis pode ajudar contra sintomas de depressão, estresse-pós traumático e ansiedade social. O uso da maconha, porém, não é recomendado para aqueles que apresentam transtorno bipolar ou psicose.

"Ao analisar as evidências limitadas sobre a cannabis medicinal, parece que os pacientes e outros que têm defendido a cannabis como uma ferramenta para a redução de danos e saúde mental têm alguns pontos válidos", diz Walsh.

Legalização e as consequências

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O governo Justin Trudeau já sinalizou que pretende legalizar a maconha até o próximo ano no Canada. Com isso, afirmam os pesquisadores, é importante identificar maneiras de ajudar os profissionais de saúde mental a ir além do estigma para entender melhor os riscos, mas também os benefícios da cannabis.

"Não há atualmente muita orientação clara sobre como os profissionais de saúde mental podem trabalhar melhor com pessoas que estão usando cannabis para fins médicos", aponta Walsh. "Com o fim da proibição, dizer às pessoas para simplesmente parar de usar pode não ser mais viável. Saber como considerar a maconha na equação do tratamento se tornará uma necessidade. "

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