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Ex-corregedor recomenda suspensão de Jean Wyllys por cusparada

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JEAN WYLLYS CUSPE
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O ex-corregedor da Câmara dos Deputados, Carlos Manato (SD-ES), recomendou a suspensão do mandato do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) por ter cuspido no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a durante a sessão no plenário da Câmara em que foi aprovada a admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Wyllys foi alvo de seis representações na Corregedoria da Casa, que recebe representações de cidadãos ou de deputados contra outros parlamentares.

Em depoimento ao Conselho nesta quinta-feira (17), o então corregedor, deputado Carlos Manato afirmou que em 13 de setembro a Mesa Diretora aprovou por quatro votos a um que o caso fosse encaminhado para o Conselho. Ele justificou a penalidade da suspensão.

"Nós achamos que perda de mandato seria muito grave. Valeria a pena uma penalidade mas que não fosse a perda de mandato. Houve quebra de decoro, mas achamos que perda seria muito grave. Advertência escrita também seria uma coisa muito simples porque naquele momento o Brasil e o mundo estava todo voltado para a Câmara dos Deputados."

De acordo com Manato, cabe ao Conselho definir o tempo da suspensão. Ele destacou que em outros casos em que Wyllys era alvo, a Corregedoria não recomendou a continuidade do processo. "Não tem qualquer tipo de perseguição ou atitude desse tipo dessa Corregedoria. Procuramos atura de forma isenta", afirmou.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), por sua vez, ressaltou que Wyllys apenas reagiu à conduta de Bolsonaro. "É uma relação de provocação permanente por parte do deptuado Jarir Bolsonaro. Isso é usado como estratégia de confronto do deputado Jair Bolsonaro", afirmou ao Conselho.

Na época, Wyllys explicou que reagiu às provocações de Bolsonaro. Ao HuffPost Brasil, a assessoria de imprensa do PSOL disse que o deputado foi “agarrado de forma violenta”e xingado de "viado", "boiola" e "queima-rosca”.

A reação do deputado ocorreu após Bolsonaro oferecer o voto a favor do impeachment em homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O coronel foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura na ditadura.

Cabe ao Conselho votar a possível punição a Jean Wyllys, após a análise de provas.

Intolerância

Wyllys é alvo de uma segunda representação no Conselho de Ética em que o PSC alega que o deputado associou os nomes dos deputados Jair Bolsonaro e Marco Feliciano (PSC-SP) ao atentando em uma boate gay em Orlando, nos Estados Unidos, em junho.

No post publicado no Facebook em 12 de junho, Wyllys afirma que discursos de ódio de pessoas com projeção podem levar cidadãos comuns a praticar atos de violência.

"Quando criticamos os discursos de ódio dos 'bolsomitos' e 'malafaias' e 'felicianos' e 'euricos' e das 'marisas lobos' e 'ana paulas valadões' da vida e dos legislativo contra gays, lésbicas e transexuais, estamos pensando justamente no quanto o discurso de ódio proferido por essas pessoas - agora em alta porque aliados dos golpistas que tomaram a presidência da República - pode levar pessoas 'de bem' a praticar atos de violência física - assassinatos e agressões físicas - contra membros da comunidade LGBT."

De acordo com o PSC, "o desequilíbrio manifestado" pelas opiniões do deputado do PSOL "incentiva que seus simpatizantes também o façam" e vai contra a responsabilidade de "construir uma sociedade com respeito às divergências".

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