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5 ministros caem em 7 meses de governo de Michel Temer

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JUCA HENRIQUE ALVES CALERO
Romero Jucá, Henrique Alves e agora Marcelo Calero: ex-ministros de Temer | Montagem / Agência Brasil
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No governo há sete meses, Michel Temer enfrentou nesta sexta-feira (18) a quinta queda de um de seus ministros. O titular da Cultura, Marcelo Calero, deixou o cargo alegando divergências com o governo.

Mal-entendidos entre integrantes do alto escalão da Esplanada e denúncias da Operação Lava Jato levaram outros quatro titulares do governo peemedebista a deixarem seus postos.

Ainda à frente do Ministério da Justiça, Alexandre de Moraes também esteve na berlinda. Assessores próximos a Temer divergem da maneira do ex-secretário de Segurança de São Paulo comandar a pasta. Reclamam do perfil centralizador e de anunciar medidas sem diálogo com a equipe.

Moraes também se envolveu em um desentendimento público com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao defender a operação da Polícia Federal em dependências do Senado para investigar possível obstrução às investigações por parte dos senadores.

'Estancar essa sangria'

Dos que caíram o primeiro da lista foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR), em 23 de maio, 12 dias após assumir o Ministério do Planejamento. Ele deixou o governo após o vazamento de uma conversa entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

"Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. Tem que ser política. Advogado não encontra solução pra isso não. Se a solução é política, como é política? Tem que resolver essa ***. Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, diz o senador na gravação.

Jucá negou irregularidades, mas deixou o cargo para evitar contaminar o Planalto.

Presidente do PMDB e defensor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Jucá continuou atuando ao lado de Temer e foi oficializado líder do governo no Senado na última quinta-feira (17).

A prisão de Jucá por tentativa de obstrução às investigações chegou a ser solicitada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas negada pelo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki.

O senador é investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no esquema de desvios de recursos da Petrobras. Também é acusado de receber propina na construção da usina Belo Monte, entre outras acusações.

Transparência

As gravações de Machado também levaram à derrocada de Fabiano Silveira, ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, pasta criada por Temer após extinguir a Controladoria Geral da União (CGU). O pedido de demissão foi apresentado em 30 de maio, uma semana após a queda de Jucá.

Silveira foi gravado na casa do presidente do Senado em conversa em que critica a Lava Jato e dá conselhos a investigados. Renan diz estar preocupado com acusação de recebimento de propina.

Renan Calheiros: Cuidado, Fabiano! Esse negócio do recibo... Isso me preocupa pra c...

Sérgio Machado: Eles me botaram num processo lá de 800 mil que o Youssef tinha dito que era pra... (inaudível) Estaleiro. Que eles tão de acordo se tem certeza que era pra você (inaudível).

Voz não identificada: Youssef disse?

Fabiano Silveira: A única ressalva que eu faria é a seguinte: tá entregando já a sua versão pros caras da... PGR, né. Entendeu? Presidente, porque tem uns detalhes aqui que eles... (inaudível) Eles não terão condição, mas quando você coloca aqui, eles vão querer rebater os detalhes que colocou. (inaudível)

R$ 1,55 milhão em propina

O terceiro alvo das gravações de Machado foi Henrique Eduardo Alves, à frente do Turismo até 16 de junho, quando pediu demissão devido ao desgaste ao ter o nome citado em denúncias da Lava Jato.

Na carta de demissão, Alves nega irregularidades, mas afirma que "o momento nacional exige atitudes pessoais em prol do bem maior". "Não quero criar constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo, nas suas próprias palavras, de salvação nacional", justificou.

Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-presidente da Transpetro afirmou que repassou a Henrique Alves R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014, por meio de doações de empreiteiras.

Rodrigo Janot afirmou ao STF que o peemedebista havia atuado para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS.

'Abafar a Lava Jato'

Em 9 de setembro, foi a vez de o então advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, deixou o cargo. Temer o demitiu após divergências entre o ministro e o titular da Casa Civil e braço direito de Temer, Eliseu Padilha.

Após a demissão, Medina chegou a dizer que “o governo quer abafar a Lava- Jato”. Padilha, por sua vez, rebateu dizendo que o advogado-geral queria "holofotes".

Medina contou que solicitou acesso aos inquéritos da Lava Jato para mover ações de improbidade administrativa contra empreiteiras a fim de ressarcir os cofres públicos. De acordo com ele, Padilha atuou para que os inquéritos não chegassem à AGU.

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