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Geddel nega ao Huff conflito de interesses e diz que continua ministro de Temer

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GEDDEL VIEIRA LIMA
Valter Campanato / Agência Brasil
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Acusado de pressionar o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, a produzir um parecer técnico para favorecer interesses pessoais, o titular da Secretaria de governo, Geddel Vieira Lima, negou irregularidades e disse que o presidente Michel Temer irá mantê-lo no posto.

"Ele (Temer) me disse que estava tudo tranquilo, que ele compreendia a situação. Nenhum tipo de problema", afirmou ao HuffPost Brasil.

Após pedir demissão nesta sexta-feira (18), Calero afirmou, em entrevista à Folha de São Paulo, que o articulador político e braço direito de Temer o procurou pelo menos cinco vezes para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovasse o projeto imobiliário La Vue Ladeira da Barra em Salvador (BA), no qual Geddel tem um imóvel.

O ex-ministro revelou que deixou o cargo por se sentir incomodado com a pressão do titular da Secretaria de Governo. "Entendi que tinha contrariado de maneira muito contundente um interesse máximo de um dos homens fortes do governo e que ninguém iria me apoiar. Vi que minha presença não teria viabilidade. Jamais compactuaria com aquele compadrio", disse à Folha.

Em 2014, o Iphan da Bahia deu parecer favorável à construção do prédio que teria 30 andares na região história de Salvador. Em 2016, o Iphan nacional embargou a obra.

De acordo com Calero, ao assumir o Ministério da Cultura, em maio, Geddel o pediu para que a decisão fosse revista porque a defesa da empresa não teria havia sido ouvida.

Após nova manifestação da defesa, o Iphan manteve o entendimento de barrar a obra. Em novembro, o órgão determinou que a construção se limitasse a 13 andares.

Ao HuffPost Brasil, Geddel admitiu ter uma promessa de compra de uma unidade do empreendimento, mas negou conflito de interesses.

Leia a íntegra da entrevista.

HuffPost Brasil: O senhor conversou com o presidente Temer sobre as declarações de Calero? O que ele disse?

Geddel Vieria Lima: Ele me disse que respondesse a todas as perguntas e que estava tudo tranquilo, que ele compreendia a situação. Nenhum tipo de problema.

O senhor se mantém no cargo?

Claro. Por que sairia? Me sinto absolutamente confortável. Não cometi nenhuma ilegalidade.

De que forma o senhor tratou com Calero a aprovação do projeto imobiliário em Salvador pelo Iphan? Por que o senhor nega ter feito pressão?

Conversei com o Calero sobre esse tema tratado. Levei para ele, tratei do assunto. Falei 'Calero, esse assunto está judicializado. Acompanha esse processo de forma que, quem sabe, o Iphan não se manifeste de forma a não gerar desemprego, insegurança jurídica, não prejudicar ainda mais os que adquiriram imóveis, até porque essa licença foi dada pela prefeitura (de Salvador), pelo estado (da Bahia) e pelo Iphan (da Bahia) em 2014. O empreendimento já está em andamento. Conversei com ele com muita tranquilidade, serenidade. Não teve nenhum atrito, nenhum mal-estar. Em nenhum momento ele mostrou nenhum desconforto a mim. Ao fim e ao cabo, prevaleceu a posição do Iphan. Então que interferência foi essa? A obra está embargada. Pronto. Que poderoso ministro é esse? Que pressão é essa que inibiu o Iphan livremente de exercer sua prerrogativa?

Em 2014, o presidente do Iphan na Bahia, Carlos Amorim, extinguiu uma comissão com parecer contrario a obra. Posteriormente, o coordenador-técnico do órgão, Bruno Tavares, que emitiu posterior parecer favorável à construção. O senhor tem alguma relação com esses nomes?

Eu não. Nenhuma relação. Em 2014 eu estava na oposição. Não tenho nenhuma relação. Não liguei pro Iphan, não tenho nenhuma relação. Que relação?

O senhor não fez indicações para os cargos?

Nada, nada. Eu nem acesso tinha. Estava na oposição.

Mas o senhor de fato tem uma promessa de compra de uma unidade do empreendimento?

Tenho, tenho.

A Cosbat, responsável pela obra é sócia da OAS. Mensagens intercepctadas na Operação Lava Jato mostram que o senhor teria atuado em favor um outro empreendimento da empreiteira. Não há conflito de interesses?

Nenhum conflito de interesses, até porque eu já expliquei isso. Essas mensagens que denunciaram foi a construção de uma praça desse consórcio que estava lá. A praça está aqui. É só vir ver. Não tem absolutamente nenhum conflito. Não tem absolutamente nada.

O senhor irá participar da acareação com Calero na Câmara, proposta pela oposição?

Ah, eu vou participar? A oposição tem que fazer o que está fazendo. Esse é o papel da oposição. Não pode fazer diferente. Mas eu não fiz nenhuma imoralidade, nenhuma ilegalidade.

A Comissão de Ética da Presidência da República irá analisar o caso. O senhor tem alguma preocupação?

Nenhuma. Não tenho preocupação nenhuma com isso. É uma situação absolutamente tranquila e serena. Tratei o ministro Calero com transparência, com tranquilidade, com serenidade. Sempre tive uma relação correta, respeitosa. Ele no estilo dele. Eu no meu estilo. E efetivamente eu não compreendo essa posição do ministro Calero.

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