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12 youtubers negras que estão empoderando mulheres na internet

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Você sabe o que é colorismo? Já ouviu falar em solidão da mulher negra? Sabe o que significa apropriação cultural?

Talvez você não consiga responder rapidamente a essas três perguntas e também não saiba que elas tratam de questões que afetam dolorosamente a vida de pessoas negras.

Hoje, se você acessar YouTube, verá que existem vlogueiras negras de diversas idades e regiões do Brasil dispostas a debater esses assuntos e ajudar outras mulheres a ter uma melhor autoestima, combater o racismo dentro e fora das redes sociais e a questionar a falta de visibilidade do negro nos espaços de poder.

Uma dessas youtubers é Gabi Oliveira, dona do canal DePretas. A carioca de 24 anos passou a compreender sua identidade negra e a onipresença do racismo na faculdade.

Depois de cursar comunicação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ela decidiu abrir um canal no youtube para transmitir, principalmente para as mulheres negras, as informações e vivências do curso.

No DePretas, Gabi fala sobre temas quase sempre polêmicos, como cotas, representatividade negra na mídia e racismo nas rede sociais. A aspereza de alguns assuntos é balanceada com vídeos sobre estética negra e dicas de cuidados para cabelos crespos.

Gabi conta conta que a repercussão dos vídeos sobre estética é sempre positiva. Diferente daqueles cujo conteúdo é dedicado à militância.

"Claro que ninguém vai reclamar de uma mulher falando sobre cabelo. Agora quando uma mulher, ainda mais uma mulher negra, decide criar sua própria narrativa, discordando muitas vezes do senso comum, aí as reações negativas são bem maiores."

A youtuber não vê problema em falar sobre empoderamento da mulher negra por meio da beleza. "Estética negra já é militância", afirma. No entanto, ela acredita que ao tratar de temas caros à comunidade e pouco discutidos na mídia, a força desse empoderamento pode ser ainda maior.

"Quando decidimos ir um pouco além do empoderamento estético, vemos o quão necessário é que falemos sobre coisas fora dos temas cabelo e maquiagem. A cada comentário contando uma história nova ou falando que entendeu determinado assunto através de um vídeo, percebo mais a minha responsabilidade de estar ali transmitindo uma mensagem de ânimo, de força, de questionamento, de dor mas também de encorajamento."

O HuffPost Brasil selecionou outras 11 youtubers que merecem a sua atenção. São vlogueiras que têm encontrado na plataforma um lugar de resistência e voz. Mulheres que compartilham diferentes experiências em prol de outras mulheres negras.

Nátaly Neri

Nátaly Neri é o nome por trás do canal Afros e Afins. Feminista, estudante de Ciências Sociais e apaixonada por brechós, a jovem de 22 anos reúne um mix de discussões em prol da autoestima da mulher negra em seu canal. Com vídeos que vão de tutoriais de moda a reflexões sobre estereótipos negros na mídia, a youtuber apresenta no mês de novembro o projeto YouTube Negro, que pretende ampliar o impacto de discussões sobre representatividade, diversidade e questões raciais têm dentro e fora do YouTube.

Ana Paula Xongani



Palestrante e empresária no mercado de moda afro, Ana Paula Xongani tem um canal na plataforma que leva seu nome. Nele, a youtuber reúne reflexões sobre moda, empreendedorismo negro, estética, autoestima e beleza negra. Mãe de uma menina de 2 anos, Ana Paula disponibiliza também vídeos com resenhas de livros infantis que têm personagens de pele escura como protagonistas.

Xan Ravelli



Musicoterapeuta de formação, Xan Ravelli é dona do canal Sou Vaidosa. Nele, a youtuber paulistana publica vídeos que refletem sua personalidade. Resenhas de produtos cosméticos e tutoriais de beleza para mulheres negras são o carro chefe do canal. Mas ele não se resume só a papos sobre estética afro. Em seu espaço no YouTube, Xan também propõe discussões sobre maternidade, relacionamento, sexo e feminismo negro.

Sá Ollebar



É de Ubatuba que Sá Ollebar grava os vídeos de seu canal, o Preta Pariu. Mãe de 4 crianças, a youtuber discute temas caros à mulher negra no Brasil. “Afroconveniência”, “palmitagem” e solidão da mulher negra são alguns dos temas dos vídeos de maior destaque no canal. “Existe um apagamento enorme das mulheres negras nas principais mídias. E para nós que pensamos em construir um mundo mais representativo, até para que nossas crianças vejam um mundo com possibilidades, é importante que todo negro se posicione - cada qual com sua forma. Eu tenho uma câmera, um espaço e algo que ninguém pode me tirar que é meu conhecimento”, ela afirma na apresentação do canal.

Lorena Monique



Criatividade, boas doses de ironia e “afrodeboche” dão o tom dos vídeos do Neggata, criado pela estudante de Ciências Sociais Lorena Monique. No ano passado, a aluna da UnB ganhou atenção da mídia com o projeto Ah, branco, dá um tempo. A iniciativa, que viralizou nas redes sociais, convidava estudantes negros da universidade a compartilharem frases que estavam cansados de ouvir no dia a dia. De lá pra cá, a youtuber tem proposto uma série de outras importantes discussões dentro do ativismo negro, incluindo feminicídio, apropriação cultural e privilégios dentro da sociedade.

Joyce Geravaes

Novata na plataforma, a estudante de Rádio e TV Joyce Geravaes criou há poucos meses o canal Joyce Show. A youtuber tem feito vídeos com relatos pessoais no qual discute e (descobre) junto com sua audiência o significado de questões acerca do empoderamento da mulher negra. Detalhe interessante: Joyce sonha em ser apresentadora de TV. E, motivada por esse sonho, criou uma divertida linguagem de apresentação dos vídeos. Ela chama vinheta e pede socorro da "produção" como se realmente estivesse à frente de um programa de televisão.

Regianne Rosa



Cabeleireira em Nova York, a paulistana Regianne Rosa criou há dois anos canal Coisas de Preta. Tutoriais, dicas de maquiagem e de cuidados com o cabelo crespo são o foco da maioria de seus vídeos. No entando, a youtuber também propõe discussões sobre relacionamento e apresenta perspectivas e curiosidades de como é a vida de uma mulher negra construindo uma nova vida nos EUA.

Patrícia Rammos

Patrícia Rammos é o nome da baiana por trás do canal Um Abadá Pra Cada Dia. Atriz (com formação na Universidade Federal da Bahia), produtora e blogueira, ela atualmente mora em Honolulu, em Hawaii. Seus vídeos combinam discussões sobre cultura afro, resenhas de livros e filmes, além de dicas de estilo. Com bom e humor e sem papas na língua, a youtuber também fala sobre temas ainda mais complexos, incluindo relacionamento abusivo, genocídio da população negra e o conceito politicamente correto.

Jacy July



Estudante de biblioteconomia e blogueira, Jacy July tem um canal que leva o seu nome na plataforma. Nela, a carioca compartilha inúmeras dicas de penteados e de cuidados com o cabelo especificamente crespo (tipo 4). No canal também é possível acompanhar orientações sobre como fazer a chamada transição capilar, processo em que a pessoa deixa de alisar o cabelo com chapinha ou produtos químicos para recuperar os fios naturais.

Tati Sacramento

A jornalista Tatiane Sacramento tem uma rotina saudável baseada em alimentação equilibrada e exercícios físicos regulares. Em seu canal, batizado de Tati Sacramento, ela compartilha vídeos dessa rotina. Receitas, bate-papos sobre bem-estar e autoestima, dicas fitness e de como manter um penteado black power sempre bonito formam a programação do canal.

Aline Custódio

Aline Custódio sempre teve dificuldade de encontrar youtubers que eram referência em maquiagem para pele negra. Em 2007, resolveu ela mesma compartilhar as ideias que tinha. Seu canal, o Preta Aline Custódio, é recheado de tutoriais de maquiagens elaboradas, quase sempre multicoloridas. A youtuber paulistana também dá dicas de cuidado e manutenção de tranças, apliques e alongamentos para mulheres crespas que desejam experimentar um novo penteado.

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