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Papa Francisco autoriza padres a perdoarem casos de aborto

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POPE FRANCIS
Alessandro Bianchi / Reuters
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O papa Francisco concedeu nesta segunda-feira (21) aos sacerdotes a liberdade de absolverem ou não as pessoas que cometeram aborto e procuraram a Igreja Católica para se redimir.

A orientação foi publicada na carta apostólica "Misericordia et Miseria", divulgada nesta segunda-feira (21) pelo Vaticano. O texto marca o encerramento do Ano Santo do Jubileu, que foi dedicado ao tema da misericórdia.

A carta apostólica estabelece uma série de novas instruções para que a misericórdia seja adotada como prática diária entre os católicos. Dessa forma, os sacerdotes ficam livres para decidirem perdoar ou não uma pessoa que cometeu aborto. Isso abre caminhos para médicos e mulheres que já cometeram ou participaram de abortos.

Segundo os ensinamentos católicos, o aborto é um pecado tão sério que aqueles que o procuram ou realizam incorrem em excomunhão automática até que o pecado seja absolvido em confissão.

Anteriormente só um bispo ou confessor especial designado em uma diocese podia conceder absolvição por um aborto.

Embora os bispos de algumas dioceses de países desenvolvidos, como Estados Unidos e Reino Unido, já tivessem delegado essa autoridade a padres nas paróquias, a velha prática ainda vigorava na maior parte do mundo.

"Com todas as minhas forças, digo que o aborto é um pecado grave, porque coloca fim a uma vida inocente", afirmou o Papa. "Mas peço aos sacerdotes que sejam guias e deem apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes. Para que nenhum obstáculo se coloque entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo, a partir de hoje, a todos os sacerdotes, na força de seus ministérios, a faculdade de absolver os que os procuram pelo pecado do aborto", determinou Francisco.

Além da questão do aborto, o Papa validou as confissões celebradas por sacerdotes lefebrvianos e oficializou o trabalho dos "missionários da misericórdia", postos criados durante o Jubileu para "escutar e perdoar os fiéis".

No texto, Francisco disse que a misericórdia é um "valor social" que deve "restituir a dignidade de milhões de pessoas". Por isso, ele também criou o Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado em toda a Itália Católica. Em um claro recado à ala conservadora do Vaticano, o Papa escreveu em sua carta apostólica que "nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode permanecer sem o seu abraço e o seu perdão". "Comunicar a certeza do Deus que ama não é um exercício retórico, mas uma condição de credibilidade do próprio sacerdócio", disse Francisco.

Jorge Mario Bergoglio também usou a carta apostólica para responder a quatro cardeais consevadores que lhe haviam questionado sobre a exortação apostólica "Amoris Laetitia" ("A Alegria do Amor"), lançada em 8 de abril e que fala sobre a família na sociedade atual. Assinada pelo cardeal Raymund Leo Burke, a carta acusa Francisco de apoiar o reconhecimento do divórcio. Como o Papa não respondeu ao documento, os cardeais resolveram torná-lo público.

"Quando o caminho da vida nupcial é interrompido pelo sofrimento, pela traição e solidão, a experiência da misericórdia nos permite olhar para todas as dificuldades com a atitude do amor de Deus, que não se cansa de acolher e de acompanhar", ratificou Francisco hoje. Dessa forma, o Papa pede, mais uma vez, que cada caso de separação matrimonial seja analisado de maneira independente pelos sacerdotes.

O Ano Santo Extraordinário da Misericórdia foi encerrado no domingo (20) , com uma missa celebrada por Francisco no Vaticano diante de 70 mil pessoas. Tradicionalmente, o Jubileu acontece somente a cada 25 anos. O último tinha sido em 2000, portanto, só ocorreria em 2025. Mas Francisco resolveu convocar um Jubileu Extraordinário com o tema da Misericórdia. O Ano Santo foi iniciado em novembro de 2015 e encerrado agora.

(Com informações da Ansa e da Reuters)

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