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Angela Merkel anuncia que vai concorrer a 4º mandato como chanceler da Alemanha

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ANGELA MERKEL
Hannibal Hanschke / Reuters
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Angela Merkel anunciou neste domingo (20) que quer concorrer a um quarto mandato como chanceler da Alemanha nas eleições do próximo ano.

Vista como uma importante liderança na Europa e também em seu partido, o conservador democrata-cristão (CDU) - apesar da popularidade oscilante - a chanceler é atualmente um ponto de equilíbrio no contexto da União Europeia.

A candidatura de Merkel é, de certa forma um sinal de estabilidade após o Reino Unido ter votado para deixar a União Europeia e a eleição de Donald Trump como próximo presidente dos Estados Unidos.

Apesar da reação adversa do eleitor à sua política migratória de portas abertas, Merkel, de 62 anos, disse que vai concorrer novamente na eleição de setembro, encerrando meses de especulação sobre a sua decisão.

"Eu pensei sobre isso por um tempo infinitamente longo. A decisão de concorrer a um quarto mandato --depois de 11 anos no cargo-- é tudo, menos trivial para o país, o partido e, eu digo isso conscientemente nessa ordem, para mim pessoalmente. É uma decisão não apenas para uma campanha eleitoral, mas para os próximos quatro anos ... se a saúde permitir".

Cerca de 55% dos alemães querem que Merkel, a oitava chanceler da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial, sirva um quarto mandato, com 39%, mostrou uma pesquisa da Emnid no domingo, destacando que, apesar dos contratempos, ela ainda é um ativo eleitoral.

Merkel dirigiu a maior economia da Europa durante a crise da dívida da zona do euro e ganhou respeito internacionalmente, por exemplo, com seus esforços para ajudar a resolver a crise da Ucrânia. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a descreveu na semana passada como uma aliada "notável".

Com a vitória de Trump nos Estados Unidos e o aumento do apoio aos partidos de direita na Europa, alguns comentaristas vêem Merkel como um bastião de valores liberais ocidentais. Sua nomeação também tentará frear o avanço da extrema-direita no país e sua vitória pode ser fundamental para a manutenção da ideia e das bases da União Europeia.

"Angela Merkel é a resposta ao populismo desta época, ela é, por assim dizer, o anti-Trump", disse o aliado de partido Stanislaw Tillich, primeiro-ministro do Estado da Saxônia, ao grupo jornal do grupo RND, acrescentando que ela confiável e previsível.

No entanto, Merkel rejeitou a responsabilidade que lhe foi conferida após a vitória de Trump como "grotesca e absurda".

"Nenhuma pessoa sozinha - mesmo com a maior experiência - pode mudar as coisas na Alemanha, na Europa e no mundo para melhor, e certamente não o chanceler da Alemanha", disse ela.

Ela afirmou também que a campanha deve ser a mais difícil de sua carreira e ressaltou o momento de forte polarização pelo qual a Alemanha - e o resto do mundo - atravessa. A luta, segundo Merkel, vai ser também por "valores e modo de vida".

A decisão de Merkel no ano passado de abrir as fronteiras da Alemanha para cerca de 900 mil refugiados, principalmente de zonas de guerra no Oriente Médio, irritou muitos eleitores em casa e prejudicou sua popularidade.

Seu partido sofreu uma baixa nas eleições regionais no ano passado, enquanto aumentou o apoio ao partido anti-imigrantista Alternativa para a Alemanha (AfD).

(Com informações das agências de notícias)

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