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Indicado por Temer recua, e Comissão de Ética decide investigar conflito de interesse de Geddel

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Processo contra Geddel pode terminar com recomendação de exoneração | EVARISTO SA via Getty Images
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Único integrante da Comissão de Ética da Presidência da República indicado pelo presidente Michel Temer, o conselheiro José Saraiva desistiu do pedido de vista e o colegiado decidiu investigar conflito de interesse na atuação do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB).

O peemedebista é acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de fazer pressão para que o o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do MinC, produzisse um parecer favorável a um empreendimento na zona nobre de Salvador, no qual o ministro tem uma promessa de compra.

De acordo com o presidente da comissão, Mauro Menezes, Saraiva desistiu do pedido de vistas ao mesmo tempo em que Geddel fez um apelo ao colegiado para que votasse logo a abertura do caso.

“Como a maioria já tinha decidido abrir o processo, ele acabou desistindo do pedido de vista. (…) Eem um gesto de boa vontade, trouxe a reflexão de que não gostaria de atrasar o processo. Ele portanto alterou seu posicionamento e passou a acatar a abertura imediata do processo.”


Não há previsão de suspeição caso Saraiva seja sorteado para relatar o caso. O conselheiro é advogado com carreira profissional na Bahia, estado de Geddel. Em 2012, ele ganhou cidadania soteropolitana. O escritório de Saraiva foi um dos contratados pela campanha do candidato à Presidência derrotado senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Se o processo for adiante e alguma irregularidade for verificada, o colegiado pode tanto dar uma advertência por escrito ou recomendar a exoneração.

Apesar da crise instalada no governo, o presidente Michel Temer garantiu que Geddel permanece no cargo.

Entenda o caso

O empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, pivô da demissão de Calero, foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 16. Segundo o ex-ministro, assim que assumiu o comando da Cultura passou a ser pressionado por Geddel para elaborar outro parecer.

"Então você me fala, Marcelo, se o assunto está equacionado ou não. Não quero ser surpreendido com uma decisão e ter que pedir a cabeça da presidente do Iphan", afirmou Calero à Folha de S.Paulo.

"Uma situação como essa, de um ministro ligar para outro ministro pedindo interferência em um órgão público para que uma decisão fosse tomada em seu benefício, não é normal e não pode ser vista assim. Não é normal", afirmou ao Estado de S.Paulo.

Calero afirmou ainda que o ministro disse ter comprado o imóvel "com a maior dificuldade”. A unidade é avaliada em R$ 2,5 milhões.

Geddel reconhece a compra do imóvel e que tratou sobre o assunto com Calero, mas nega conflito de interesses. "É uma situação absolutamente tranquila e serena. Tratei o ministro Calero com transparência, com tranquilidade, com serenidade", disse ao HuffPost Brasil no sábado (19).

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