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ACM Neto fala sobre sucesso na reeleição em Salvador, Operação Lava Jato, reforma política e relação com o PT

Publicado: Atualizado:
ACM NETO
Beto Barata/PR
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Reeleito com mais de 70% dos votos, o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), o ACM Neto, faz saltar a dúvida: Qual a receita para tanto sucesso?

Nas duas vezes que o HuffPost Brasil fez essa pergunta ao prefeito a resposta foi a mesma, parecia até ter decorado: “trabalho, trabalho, trabalho”.

"Você não constrói uma vitória como essa apenas durante o período eleitoral. Uma vitória como essa você constrói ao longo de todo um mandato, que foi exatamente o que nós fizemos”, emendou.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, o prefeito foi firme e categórico em todas as respostas. Questionado sobre a polêmica com a venda exclusiva de uma marca de cerveja em eventos como o Carnaval, ACM Neto disparou:

"Ela deu tão certo que a cervejaria que tinha inicialmente ficado de fora agora pagou um valor até superior e adquiriu o carnaval toda. Essa polêmica é superada.”

A controvérsia com a atual vice-prefeita Célia Sacramento (PPL), com a qual o prefeito está rompido, também foi “superada”. "Não tem mais [relação com ela]. A relação foi completamente superada. Não há nem haverá mais relação”, disparou novamente.

Outro tema que tem feito os políticos perderem os cabelos tampouco parece incomodá-lo. Medo da Lava Jato? "Não temo absolutamente nada até mesmo porque a minha relação não só com a Odebrecht, mas com todas empresas do País, sempre foi pautada pela transparência.”

Adversária na disputa pela prefeitura da cidade, a deputada Alice Portugal (PCdoB) tentou colar a imagem do prefeito à operação por ter sido citado na lista da Odebrecht.

"Eu jamais cogitei comprometer o interesse público por qualquer tipo de interesse privado de quem quer que seja. E a resposta à deputada Alice, ela teve nas urnas."

Leia a íntegra da entrevista:

HuffPost: O senhor foi reeleito com mais de 70% dos votos em um momento de crise, no qual muitos prefeitos que tentaram a reeleição passaram por um cenário apertado. A que o senhor atribui sua popularidade em um momento geral de dificuldade?

ACM Neto: Trabalho, trabalho e muito trabalho durante quatro anos. Você não constrói uma vitória como essa apenas durante o período eleitoral. Uma vitória como essa você constrói ao longo de todo um mandato, que foi exatamente o que nós fizemos

Em visita a áreas atingidas pela chuva em maio

Qual expectativa para o segundo mandato? Qual o projeto principal do senhor para a cidade?

A gente agora está em fase final de reorganização administrativa, é um novo governo na prática. Uma preocupação que eu tenho é não fazer um mandato que seja apenas a repetição do que fizemos.

A grande polêmica da sua gestão foi o contrato de exclusividade com uma cervejaria para o Carnaval e aniversário de Salvador. O senhor vai rever a medida?

Ela deu tão certo que a cervejaria que tinha inicialmente ficado de fora agora pagou um valor até superior e adquiriu o carnaval toda. Essa polêmica é superada.

Prefeito participa do Carnaval de Salvador

Sua reeleição teve uma particularidade: a sua vice, Célia Sacramento (PPL), acabou se tornando adversária na campanha. Como está a relação com ela?

Não tem mais [relação]. A relação foi completamente superada. Não há nem haverá mais relação. Ela tinha todo o direito de definir o caminho que definiu, mas não de falar o que disse. Ela fez uma opção, inclusive de maneira muito incompreensível quis se jogar nos braços do PT, que é meu adversário. A maior resposta que ela podia ter foi o resultado das eleições, onde ela ficou em penúltimo.

Seu novo vice é do PMDB. Isso já é a sinalização de uma aliança nacional?

Não. É a consolidação de uma aliança local que começou no segundo turno de 2012, que aconteceu em 2014 e agora. E é claro que nós, do Democratas, estamos casados com o PMDB da Bahia e vice-versa. Então na perspectiva futura, não tenho dúvida de que os projetos locais serão convergentes, mas eu não posso assegurar que isso se dará no plano nacional.

Já há alguma definição sobre candidatura ao governo do estado em 2018?

Não. Acabei de sair de uma eleição. Só se eu fosse irresponsável de já ir preparando 2018 ou pensando nisso... De maneira alguma.

Após passar por duas campanhas com regras diferentes, qual reforma política que o senhor acredita que o Brasil precisa? Em que áreas?

Essa campanha teve avanços importantes. Sem dúvida foi muito mais barata do que as anteriores com as mudanças que foram feitas pelo Congresso, mas é fundamental discutir o financiamento de campanha. Eu até acho que precisa ouvir a população, a sociedade, para que ela diga o que prefere. Hoje eu defendo que haja um modelo de financiamento público, inclusive é uma evolução da minha posição como parlamentar, que durante dez anos fui contrário ao financiamento público. Mas infelizmente depois que no Brasil misturou financiamento com corrupção, acabou se comprometendo o financiamento privado.

O senhor é a favor da proposta de usar a arrecadação do imposto de renda para financiar os partido ou algum outro modelo?

Eu não conheço [essa proposta]. Aí é uma discussão que o Congresso tem que detalhar, se é com um fundo, como será. O que importa é que tem que existir financiamento público e regras muito claras e seguras de divisão.

O senhor nunca se posicionou de maneira firme em favor do impeachment de Dilma Rousseff, mas fechou com o governo Michel Temer. O que impulsionou essa aliança?

Eu tinha uma função institucional. O meu partido sempre foi claro. Foi o primeiro a se posicionar. Os parlamentares todos, inclusive baianos, votaram a favor, trabalharam pelo impeachment. Mas eu como prefeito, não me cabia levantar bandeira de impeachment. No dia seguinte, qualquer que fosse o resultado, eu teria que dialogar com o presidente. Com ela, caso não houvesse o impeachment, ou com o Temer, como aconteceu. Agora é claro que a relação que eu tenho pessoal com o Temer, fomos colegas aqui, fui vice-presidente dele na Câmara, a afinidade que eu tenho com o PMDB da Bahia e nacional, tudo isso traz uma outra perspectiva. Agora eu me considero um aliado do governo federal e vice-versa. O que não era. Fui maltratado pelo governo do PT de janeiro de 2013 até o dia que Dilma saiu.

Na campanha, a candidata Alice Portugal tentou colar sua imagem na Operação Lava Jato. O senhor teme o avanço da operação e a delação do empreiteiro Marcelo Odebrecht?

Não temo absolutamente nada até mesmo porque a minha relação não só com a Odebrecht, mas com todas empresas do País, sempre foi pautada pela transparência. Eu jamais cogitei comprometer o interesse público por qualquer tipo de interesse privado de quem quer que seja. E a resposta à deputada Alice, ela teve nas urnas.

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