Huffpost Brazil

Tarja preta: Anvisa facilita chegada de remédios à base de maconha às farmácias

Publicado: Atualizado:
Imprimir

marijuana

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma portaria que abre as portas para produção, venda e registro de medicamentos compostos por maconha no Brasil. Pela decisão, aprovada por unanimidade, remédios à base de tetrahidrocannabionol (THC), o princípio psicoativo da planta, e de canabidiol passam a ser considerados vendidos sob controle especial.

A Portaria nº 344/98, aprovada por unanimidade, também estabelece que laboratórios registrem os derivados em concentração de, no máximo, 30 mg de tetrahidrocannabinol (THC) por mililitro e 30 mg de canabidiol por mililitro. Os produtos que tiverem concentração maior do que a estabelecida continuam proibidos no país.

O que vem por aí?

A alteração da Anvisa foi motivada pelo registro do medicamento Mevatyl, conhecido fora do Brasil como Sativex, que possui tanto o canabidiol como o tetrahidrocanabinol e tem sido utilizado na França, Bélgica e Estados Unidos em pacientes que apresentam esclerose múltipla. O medicamento ajuda a controlar sintomas provocados pela doença.

Maconha na farmácia: Cada vez mais perto

maconha sativex

A aprovação da Anvisa é uma resposta positiva ao pedido feito pela empresa GWPharma para comercializar o Mevatyl. Com isso, já há espaço para que seja concedido o registro do medicamento. Ele pode ser o primeiro à base de maconha a chegar às farmácias do país.

Segundo reportagem da Folha
, o pedido está em fase final de análise. "Fizemos isso de maneira que, quando houver o registro, ele já tenha o regulamento pronto para utilização", afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa.

O Mevatyl é composto por 25mg/ml de canabidiol e de 27 mg/ml de THC, obedecendo a portaria da Anvisa. Segundo Barbosa, está é a concentração considerada segura para uso humano.

Tarja preta

A regras aprovadas pela Anvisa se aproximam dos parâmetros aplicados em países como Reino Unido e Bélgica e os coloca lado a lado aos medicamentos controlados. "Será tratado como os demais de tarja preta, os medicamentos controlados, que precisam de receituário especial e têm um sistema de controle", afirma Barbosa à Folha.

A esclerose e a maconha

A esclerose múltipla ataca o sistema imunológico e provoca dificuldades de fala e movimento, além das disfunções da bexiga e do intestino. De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), há 35 mil brasileiros com a doença. O Sativex, citado acima, é usado para combater a espasticidade, rigidez muscular que está associada a disfunções de movimento.

Os principais possíveis efeitos colaterais do spay são tontura e cansaço. Outros podem sentir-se confusos e depressivos.

Facilitou a importação

A decisão da Anvisa desta terça, na prática, também pode tornar mais fácil a importação de produtos com canabidiol. Os pedidos feitos pelos pacientes passam a ser priorizados - podendo serem negados, claro. Basta que sejam apresentados todos os documentos necessários e previstos no processo.

O tempo de análise deve cair drasticamente. Se para alguns produtos a demora de análise é de cerca de cinco dias, para outros, mas comuns, pode ser praticamente automática.

Depois imensa movimentação de familiares de pacientes, a liberação do uso do canabidiol foi decidida pela Anvisa em 2015.

pharmacy illustration

LEIA TAMBÉM:

- Maconha pode combater ansiedade e depressão. E também vício em analgésicos, aponta estudo

- Importar poucas sementes de maconha não é tráfico, aponta MPF

- Reino Unido admite, finalmente, efeitos medicinais da maconha

- Idosos dos EUA tomam menos remédios onde a maconha é legalizada

Também no HuffPost Brasil

Close
33 descobertas sobre a maconha
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção