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Kokay defende Wyllys de cusparada: 'Bolsonaro é algoz impune'

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KOKAY JEAN BOLSONARO
Montagem / Agência Câmara / Agência Brasil
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A deputada Erika Kokay (PT-DF) saiu em defesa do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e criticou o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante sessão no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (23) que discute punições para Wyllys por acusação de ter cuspido em Bolsonaro.

"Não é possível que vítimas contumazes de posturas como essa sejam questionadas ou penalizadas e os algozes impunes para que continuem perpetuando esse tipo de postura que aniquila, que humilha, que destrói", afirmou Erika, testemunha de defesa em depoimento.

O colegiado avalia que o parlamentar do PSOL deve ser punido pelo desentendimento na sessão no plenário da Câmara em que foi aprovada a admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Wyllys alega que reagiu a provocações de Bolsonaro. Na época, a assessoria de imprensa do PSOL disse que o deputado foi “agarrado de forma violenta”e xingado de "viado", "boiola" e "queima-rosca”.

O desentendimento aconteceu após Bolsonaro homenagear o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante o voto pelo impeachment de Dilma. Ele foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura na ditadura e algoz da ex-presidente na época do regime militar.

Outra testemunha de defesa, a deputada estadual do Rio Grande do Sul, Manuela D'Ávila (PCdoB) afirmou que Bolsonaro era um "provocador contumaz" de Wyllys durante o período em que conviveram na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

"Presenciei todas as agressões do deputado Jair Bolsonaro contra o deputado Jean não políticas, não relacionadas às causas ou ideias que ele defende e aquilo que o caracteriza como ser humano", afirmou. Ela citou quando o deputado do PSC disse "seu pai teria vergonha de ter um filho viado" ao parlamentar do PSOL durante sessão da comissão de Direitos Humanos em 2011.

Suspensão

Na semana passada, o ex-corregedor da Câmara dos Deputados, Carlos Manato (SD-ES), recomendou a suspensão do mandato de Wyllys. "Houve quebra de decoro, mas achamos que perda seria muito grave. Advertência escrita também seria uma coisa muito simples porque naquele momento o Brasil e o mundo estava todo voltado para a Câmara dos Deputados", afirmou em testemunho no Conselho de Ética.

O deputado do PSOL foi alvo de seis representações na Corregedoria da Casa sobre o caso. O órgão recebe representações de cidadãos ou de deputados contra outros parlamentares. Cabe ao Conselho votar a possível punição a Jean Wyllys, após a análise de provas.

Intolerância

Também nesta quarta-feira, o Conselho arquivou outro processo em que Wyllys é alvo. Nele, o PSC alega que o deputado associou os nomes dos deputados Jair Bolsonaro e Marco Feliciano (PSC-SP) ao atentando em uma boate gay em Orlando, nos Estados Unidos, em junho.

O relator, deputado Júlio Delgado (PSB-MG) afirmou que o deputado do PSOL não responsabilizou Feliciano ou Bolsonaro pela tragédia e que não havia "justa causa" para a continuidade do processo. O parecer foi aprovado por 11 votos a favor e zero contra.

No post publicado no Facebook em 12 de junho, Wyllys afirma que discursos de ódio de pessoas com projeção podem levar cidadãos comuns a praticar atos de violência.

"Quando criticamos os discursos de ódio dos 'bolsomitos' e 'malafaias' e 'felicianos' e 'euricos' e das 'marisas lobos' e 'ana paulas valadões' da vida e dos legislativo contra gays, lésbicas e transexuais, estamos pensando justamente no quanto o discurso de ódio proferido por essas pessoas - agora em alta porque aliados dos golpistas que tomaram a presidência da República - pode levar pessoas 'de bem' a praticar atos de violência física - assassinatos e agressões físicas - contra membros da comunidade LGBT.", diz o texto.

De acordo com o PSC, "o desequilíbrio manifestado" pelas opiniões do deputado do PSOL "incentiva que seus simpatizantes também o façam" e vai contra a responsabilidade de "construir uma sociedade com respeito às divergências".

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