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Aécio quer investigar gravação contra Temer. Mas não foi assim com Dilma e Lula

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O senador Aécio Neves (PSDB) afirmou nesta sexta-feira (25) que o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero deveria ser investigado por supostamente gravar uma conversa privada com o presidente Michel Temer.

O tema da conversa seriam as pressões sofridas por Calero por conta da aprovação da aprovação de um prédio irregular em que o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima tem um apartamento. Temer teria ficado ao lado de Geddel.

Sobre a suposta gravação feita pelo ex-ministro da Marcelo Calero Aécio disse, mais cedo, em Brasília:

"Não vejo nenhum ato incorreto por parte do presidente da República, que não determinou uma solução. Ele faz uma sugestão para que a Advocacia-Geral da União pudesse dirimir o conflito que ali existia. Não acho que seja algo elogiável - se é que isso ocorreu - que um assessor do presidente da República, um ministro de estado, grave uma conversa com um presidente da República porque essa conversa poderia derivar para outros assuntos de Estado. Isso não é usual. Não é adequado."

Nas redes sociais, Aécio evitou falar sobre as denúncias:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também nesta sexta, foi em linha semelhante nesta sexta:

"Gravar conversa com outro me parece que não é uma coisa certa, tem q ter boa fé quando conversa com o interlocutor, ainda mais quando é o presidente da República".

Em março deste ano, quando tornou-se pública uma gravação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o senador tucano não se manifestou sobre as irregularidades, mas apenas sobre o teor da conversa. Defendeu que a presidente havia perdido as condições de governar e defendeu o impeachment, que ocorreria meses depois.

Na época, Sérgio Moro havia determinado que a Polícia Federal suspendesse a interceptação telefônica do ex-presidente Lula às 11h12 desta quarta-feira.

Na gravação, a ex-presidente Dilma Rousseff diz a Lula que estava encaminhando o termo de posse na Casa Civil, para usar se fosse necessário. A escuta foi realiza mais de duas horas depois, às 13h32.

O áudio de Dilma e Lula foi inserido no inquérito às 15h37m e Moro decidiu liberar o sigilo do inquérito às 16h19. As irregularidades fizeram com que o ministro do STF Teori Zavascki anulasse parte das escutas.

Entenda o caso

O empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, pivô da demissão de Calero, foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 16. Segundo o ex-ministro, assim que assumiu o comando da Cultura passou a ser pressionado por Geddel para elaborar outro parecer.

"Então você me fala, Marcelo, se o assunto está equacionado ou não. Não quero ser surpreendido com uma decisão e ter que pedir a cabeça da presidente do Iphan", afirmou Calero à Folha de S.Paulo.

"Uma situação como essa, de um ministro ligar para outro ministro pedindo interferência em um órgão público para que uma decisão fosse tomada em seu benefício, não é normal e não pode ser vista assim. Não é normal", afirmou ao Estado de S.Paulo.

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