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Polícia Federal vai apurar se Calero gravou Temer, diz ministro da Justiça

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TEMER CALERO
Temer teria sido gravado por Calero | Beto Barata / PR
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O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse nesta sexta-feira (25) que a Polícia Federal vai investigar a informação de que o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero gravou conversas com integrantes do governo, inclusive com o presidente Michel Temer.

"Os boatos sobre a gravação, se há ou não gravação, isso vai ser apurado para verificar em que condições foram feitas", afirmou Moraes a jornalistas. Ele afirmou ainda que, como Geddel perdeu o foro privilegiado após a demissão, cabe ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidir se irá remeter o caso para a primeira instância.

Moraes saiu também em defesa de Temer.

"O presidente simplesmente indicou ao ministro Calero que, se achasse o caso, consultasse a Advocacia-Geral da União (AGU). Tanto que o próprio ministro não consultou a AGU. Entendeu por bem não consultar e ele mesmo decidir. Este é o papel constitucional da AGU quando consultada por ministros. Nem houve a consulta, o que demonstra que foi uma conversa absolutamente normal", declarou.

Em depoimento à Polícia Federal, Calero afirmou que o presidente interveio em favor dos interesses do então titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, para liberar uma obra em Salvador (BA) em que o peemedebista tem uma promessa de compra de apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.

De acordo com o jornalista Kennedy Alencar, a Polícia Federal informou ao Ministério da Justiça que Calero gravou os encontros. A PF confirmou a existência dos áudios, mas não informou os interlocutores.

Entenda o caso

O empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, pivô da demissão de Calero, foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 16. Segundo o ex-ministro, assim que assumiu o comando da Cultura passou a ser pressionado por Geddel para elaborar outro parecer.

À Polícia Federal, Calero disse que o presidente pediu para ele construir uma saída para que o processo fosse encaminhado à Advocacia-Geral da União, porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução. Disse ainda que o presidente afirmou que “a política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão”.

O ex-titular da Cultura nega ter "solicitado audiência com o presidente Michel Temer no intuito de gravar conversa no Gabinete Presidencial". "Durante minha trajetória na carreira diplomática e política, nunca agi de má fé ou de maneira ardilosa", afirmou, em nota.

Temer confirma a conversa com Calero, mas nega pressão. O porta-voz da Presidência, Alexandre Parola afirmou que o presidente “sempre endossou caminhos técnicos para solução de licenças em obras ou ações de governo”.

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