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Geddel entrega carta de demissão e é o sexto ministro de Temer a cair

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Nem seis meses de governo e queda de seis ministros. Suspeito de pressionar o ex-titular da Cultura, Marcelo Calero, para liberar a obra irregular de um prédio em Salvador, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, entregou na manhã desta sexta-feira (25) uma carta de demissão ao presidente Michel Temer.

Na carta de demissão, Geddel agradece a Temer e alega desgaste após a denúncia de Calero. "Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair", escreveu.

O titular da Secretaria de Governo pediu desculpas aos que "estão sendo alcançados" pelas interpretações do caso. "Fiz minha mais profunda reflexão e fruto dela apresento aqui este meu pedido de exoneração do honroso cargo que com dedicação venho exercendo", declarou.

O ex-ministro clasifica o presidente como "sério, ético e afável no trato com todos". Ele agradece ainda aos parlamentares pelo "apoio e colaboração de importantes medidas para o Brasil".

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Entenda o caso

O empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, pivô da demissão de Calero, foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 16. Segundo o ex-ministro, assim que assumiu o comando da Cultura passou a ser pressionado por Geddel para elaborar outro parecer.

"Então você me fala, Marcelo, se o assunto está equacionado ou não. Não quero ser surpreendido com uma decisão e ter que pedir a cabeça da presidente do Iphan", afirmou Calero à Folha de S.Paulo.

"Uma situação como essa, de um ministro ligar para outro ministro pedindo interferência em um órgão público para que uma decisão fosse tomada em seu benefício, não é normal e não pode ser vista assim. Não é normal", afirmou ao Estado de S.Paulo.

Calero afirmou ainda que o ministro disse ter comprado o imóvel "com a maior dificuldade”. A unidade é avaliada em R$ 2,5 milhões.

Geddel reconhece a compra do imóvel e que tratou sobre o assunto com Calero, mas nega conflito de interesses. "É uma situação absolutamente tranquila e serena. Tratei o ministro Calero com transparência, com tranquilidade, com serenidade", disse ao HuffPost Brasil no sábado (19).

Com a demissão, Geddel perde o foro privilegiado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia pedir a abertura de um inquérito contra ele.

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