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Geddel caiu. E PSOL e PT vão pedir impeachment de Michel Temer

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MICHEL TEMER
BRASILIA, BRAZIL - OCTOBER 11: President of Brazil Michel Temer attends technical cooperation agreement signing ceremony with the Court Superior Electoral (TSE) at Planalto Palace in Brasilia, Brazil on October 11, 2016. (Photo by Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/LatinContent/Getty Images) | Brazil Photo Press/CON via Getty Images
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O pedido de demissão do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, nesta sexta-feira (25) não serviu para acalmar a oposição, que decidiu continuar a ofensiva contra o presidente Michel Temer, acusado de pressionar o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, em prol de vantagens pessoais para Geddel.

O PSOL irá protocolar na próxima segunda (28), na Câmara dos Deputados, um pedido de impeachment contra Temer por crime de responsabilidade, de acordo com a Lei 1.079/1950, artigo 9º.

A peça terá como base as denúncias de Calero. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que o presidente interveio em favor dos interesses de Geddel para liberar uma obra em Salvador (BA). "Agora sim estamos diante de um crime de responsabilidade", afirmou o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP).

O PT também estuda um pedido de impedimento de Temer. "O fato é que tem crime de responsabilidade objetivo. Tráfico de influência pelo presidente da República. Essa demissão do Geddel Vieira Lima não resolve nada pra gente", afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). De acordo com ele, o pedido será protocolado também na próxima segunda-feira.

"Estamos entrando com um outro pedido também de infração penal comum (…) Ele pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal porque foi um fato que aconteceu no seu mandato, dentro do Palácio do Planalto", completou o petista.

O senador afirmou ainda que o PT irá acrescentar na representação entregue à PGR sobre o caso de Geddel as informações sobre o suposto envolvimento de Temer. Ele defendeu também a demissão da advogada-geral da União, a ministra Grace Mendonça, incluída no depoimento de Calero.

Entenda o caso

A Procuradoria Geral da República recebeu o depoimento de Calero e avalia se pedirá ao Supremo Tribunal Federal abertura de inquérito contra Geddel. De acordo com o jornalista Kennedy Alencar, a Polícia Federal informou ao Ministério da Justiça que Calero gravou os encontros.

O empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, pivô da demissão de Calero, foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 16. Segundo o ex-ministro, assim que assumiu o comando da Cultura passou a ser pressionado por Geddel para elaborar outro parecer.

À Polícia Federal, Calero disse que o presidente pediu para ele construir uma saída para que o processo fosse encaminhado à Advocacia-Geral da União, porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução. Disse ainda que o presidente afirmou que “a política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão”.

Novas eleições

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), por sua vez, defendeu a renúncia de Temer e a convocação de eleições diretas. Essa possibilidade está prevista no caso de queda do presidente da República e de seu vice.

Após a reforma eleitoral de 2015, ficou definido que caso essa situação aconteça até seis meses antes do fim do mandato, são convocadas eleições diretas com critérios a serem definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (STF). Passada essa data, ou seja, no segundo semestre de 2018, seriam realizadas eleições indiretas, nas quais cabe ao Congresso eleger o presidente.

"A principal figura é que tem que sair. A principal figura, o chefe deles todos, quem permitiu que isso acontecesse foi o presidente Michel Temer. Michel Temer, deixe o cargo (…) Diga à nação brasileira que você está deixando o cargo para que a gente possa fazer eleições diretas no Brasil (…) Os senhores não têm legitimidade para continuar no poder."

Grazziotin pediu ainda a demissão do titular da Casa Civil, Eliseu Padilha, homem forte de Temer e acusado de também ter atuado para beneficiar Geddel.

'Guiness'

Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, as denúncias contra a cúpula do governo estão sendo "magnificadas" e a informação de que Calero teria gravado a conversa com Temer "vai para o Guiness"

“De fato se isso ocorreu é um fato que vai para o Guinness, alguma coisa realmente inusitada e claro absolutamente despropositada. Um profissional, do ministério, do Itamaraty, tenha este tipo de conduta suscita realmente bastante preocupação", afirmou em seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) também defendeu investigações contra Calero pela gravação. “Não acho adequado, não acho compreensível que um ministro de estado entre com um gravador para gravar uma conversa com o presidente da república. Não me parece algo ético”, afirmou.

Em nota, o ex-titular da cultura negou ter "solicitado audiência com o presidente Michel Temer no intuito de gravar conversa no Gabinete Presidencial". "Durante minha trajetória na carreira diplomática e política, nunca agi de má fé ou de maneira ardilosa", afirmou.

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