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De 'golpista' a homem-bomba do governo Temer: Quem é Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura

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CALERO E TEMER
Valter Campanato/Agência Brasil
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Uma trajetória rápida, mas marcante. Dá para definir assim a passagem de Marcelo Calero pelo Ministério da Cultura do governo Michel Temer. O ministério, aliás, chegou a ser extinto e Caleiro foi um dos últimos a se integrar ao governo peemedebista.

A decisão inicial de Temer foi fundir as pastas de Educação e Cultura, para reduzir o número de ministérios quando assumiu interinamente o governo. A decisão foi alvo de diversas críticas da opinião pública e artistas. E, então, diante dos protestos de parte dos artistas e de servidores do Ministério da Cultura - que ocuparam diversos equipamentos públicos -, Temer voltou atrás.

Calero, por aceitar o cargo, passou a ser chamado de "golpista" em diversos eventos públicos. Durante um festival de cinema de Petrópolis (RJ) em setembro, Calero se irritou, trocou ofensas com manifestantes e abandonou o Museu Imperial da cidade. Em agosto, na abertura do Festival de Gramado, Calero acabou vaiado enquanto participava da exibição de Aquarius, filme brasileiro que acabou preterido na disputa por uma vaga no Oscar, outra polêmica de seu curto período como ministro.

Quem é ele?

Advogado formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e diplomata, Calero, 33 anos, e começou a vida em cargos públicos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também passou pela Petrobras em 2006. Chegou então à diplomacia em 2007 e trabalhou na embaixada brasileira no México.

Em 2010, pelo PSDB, disputou uma vaga de deputado federal em 2010, mas obteve apenas 2.252 votos.

Antes de assumir a pasta da Cultura, ele chegou a participar de um encontro da área em que se pedia a permanência do MinC -extinto por Temer - como ministério independente.

Em 2014, o ex-ministro foi convidado por Eduardo Paes para presidir o Comitê Rio 450, para organizar as comemorações de aniversário da capital. Foi convidado em 2015 para a Secretaria Municipal de Cultura, substituindo o jornalista Sérgio Sá Leitão.

No discurso de posse, o novo ministro evitou entrar na polêmica da recriação da pasta e fez uma leitura diplomática:

“Estaremos sujeitos sempre a aquilo que a sociedade demanda, nunca a serviço de um projeto de poder. O financiamento público é uma ferramenta imprescindível para que a cultura cumpra sua tarefa elementar de sustentação da nacionalidade”

Calero prometeu ser o ministro do diálogo e ressaltou em mais de um momento que a cultura não tem partido.

As denúncias

O empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, pivô da demissão de Calero, foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 16. Segundo o ex-ministro, assim que assumiu o comando da Cultura passou a ser pressionado por Geddel para elaborar outro parecer.

"Então você me fala, Marcelo, se o assunto está equacionado ou não. Não quero ser surpreendido com uma decisão e ter que pedir a cabeça da presidente do Iphan", afirmou Calero à Folha de S.Paulo.

"Uma situação como essa, de um ministro ligar para outro ministro pedindo interferência em um órgão público para que uma decisão fosse tomada em seu benefício, não é normal e não pode ser vista assim. Não é normal", afirmou ao Estado de S.Paulo.

Calero afirmou ainda que o ministro disse ter comprado o imóvel "com a maior dificuldade”. A unidade é avaliada em R$ 2,5 milhões.

Geddel reconhece a compra do imóvel e que tratou sobre o assunto com Calero, mas nega conflito de interesses. "É uma situação absolutamente tranquila e serena. Tratei o ministro Calero com transparência, com tranquilidade, com serenidade", disse ao HuffPost Brasil no sábado (19).

Com a demissão, Geddel perde o foro privilegiado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia pedir a abertura de um inquérito contra ele.

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