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Fidel travou cruzada para manter crianças e jovens longe dos gays

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FIDEL CASTRO
Fidel lutou para que gays ficassem longe de cargos com contato direto com crianças e jovens | ASSOCIATED PRESS
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Enaltecido como líder revolucionário, Fidel Castro, morto na sexta-feira (25), travou uma cruzada contra gays, os proibiu de aderir a revolução. Anos depois, ele admitiu que os perseguiu entre 1960 e 1970. A principal luta do governo cubano na época foi evitar que os homossexuais exercessem funções que pudessem ter contato com crianças e jovens.

Em 2010, ao periódico mexicano La Jornada, ele reconheceu o erro. "Estou tentando limitar minha responsabilidade por tudo isso porque, de fato, eu não carrego comigo esse tipo de preconceito”, afirmou.

Entre 2003 e 2005, ele já tinha feito uma mea culpa. "Eu gosto de pensar que a discriminação contra os homossexuais é um problema que está sendo superado", afirmou ao jornalista francês Ignacio Ramonet. "Velhos preconceitos e visões estreitas serão, cada vez mais, coisas do passado”, emendou.

Os "velhos preconceitos” estão registrados em entrevista gravado ao jornalista Lee Lockwood. Em 1965, Lockwood questionou Fidel sobre o tratamento duro que os homens do governo estavam dando aos homossexuais, com projeto de erradicar a homossexualidade. Fidel, então, respondeu:

“Esta questão não tem sido suficientemente estudado ou analisado. Não creio também que existam normas definitivas en nenhuma parte em relação a este assunto tão delicado. Consideramos nossos dever tomar algumas medidas mínimas com a finalidade de que os postos em que uma pessoa possa ter uma influência direta sobre as crianças ou jovens não estejam nas mãos de homossexuais, sobretudo nos centros educacionais."

Questionado se a posição dele era de que os gays não poderiam ser revolucionários, Fidel afirmou que nada os impede de "professar uma ideologia revolucionária e, consequentemente, exibir uma visão política correta”. Neste caso, segundo ele, não se pode considerar uma pessoa negativa, do ponto de vista político.

“Não podemos, no entanto, chegar a acreditar que um homossexual pode reunir as condições e os requisitos de conduta que nos permitiriam considerá-lo um verdadeiro revolucionário, um verdadeiro militante comunista. Um desvio dessa natureza está em contradição com o conceito que temos sobre o que deve ser um militante comunista.

Mas sobretudo, não acredito que exista alguém com uma resposta definitiva sobre a causa da homossexualidade.

Creio que a questão deve ser estudada muito cuidadosamente, mas quero ser sincero e dizer que aos homossexuais não se deve permitir ocupar cargos em que possam exercer influência sobre os jovens. Sob as condições em que vivemos, a causa dos problemas que nosso país enfrenta, devemos colocar os jovens sob o espírito da disciplina, da luta e do trabalho.

Na minha opinião, deve ser promovido tudo que tenda a favorecer a nossa juventude a um espírito forte, atividades relacionadas de algum modo com a defesa do país, como os esportes. Essa atitude pode não ser muito correta, mas é, honestamente, o que pensamos a esse respeito.”

Na época, o líder revolucionário disse ainda acreditar que há casos em que a homossexualidade é causada patologicamente e que seria arbitrário que ela fosse maltratada por algo sobre o qual não exerce controle algum.

As declarações estão compiladas no livro de Aleen Young, “Gays Under the Cuban Revolution”.

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