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Planalto avalia que saída de Geddel desestabiliza o governo 'politicamente e emocionalmente'

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TEMER
Temer perde um amigo no governo | EVARISTO SA via Getty Images
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A saída de Geddel Vieira Lima (PMDB) da Secretaria de Governo teve um baque de proporções maiores que a queda do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), do Ministério do Planejamento. A avaliação feita por interlocutores do Palácio do Planalto ao HuffPost Brasil acrescenta ainda que o governo tentou ao máximo segurar Geddel.

“Foi a saída de um amigo, de um braço direito. Desestabiliza politicamente e emocionalmente. Foi sentida quanto a saída do Jucá, mas em proporções maiores. Um baque muito grande”, resume um assessor palaciano.

Ainda de acordo com fontes do Planalto, Geddel era grande e sabia disso. Conseguiu se sustentar na pasta por uma semana após o escândalo estourar justamente pela habilidade política, evidenciada na carta de apoio entregue pelos líderes esta semana, e proximidade com o presidente. Uma das grandes cartadas de Temer é a base no Congresso, capaz de dar aval a medidas impopulares como a PEC do Teto de Gastos.

A avaliação interna é que a saída de Geddel desmontou a engrenagem de sustentação ao governo. Tão importante quanto não estar envolvido em problemas com o judiciário para tirar a secretaria dos holofotes da crise é o novo ministro apresentar credenciais para assegurar que a base será atendida.

“Quem conhece o presidente sabe que ele ainda não tomou nenhuma decisão açodada. Ele vai pensar muito porque sabe que a decisão dele pode causar problemas no Congresso”, avalia outro assessor.

Xadrez

O presidente se debruça basicamente em quatro vertentes. As duas mais fortes são soluções caseiras: uma é escolher algum dos assessores especiais ou um técnico ou transformar a Casa Civil em um super-ministério e deixar tudo sob comando do ministro Eliseu Padilha. Neste último caso, o ministério se tornaria uma subsecretaria.

Para a primeira hipótese, são cotados nomes como o ex-secretaria-geral da Câmara, Mozart Viana, ou o atual secretário-executivo da pasta, Carlos Henrique Sobral. E ainda os assessores especiais Rocha Loures, Tadeu Filippelli e Sandro Mabel.

A escolha de um técnico, como Mozart, é tida como uma resposta rápida para que a PEC dos Gastos não vá à votação sem um representante na secretaria e não traz impactos grandes a articulação que, além de ser feita por Geddel, é feita também por Temer e Padilha.

Na linha mais política, há a possibilidade escolher algum parlamentar. A escolha de um deputado como o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), interfere diretamente na disputa pela Presidência da Câmara. Tiraria uma peça da jogada que pode fortalecer outro candidato. Outra opção é escolher um nome neutro, como o do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), agradaria o Congresso e não causaria impacto na disputa. Embora tenha preferência, o Planalto que se manter publicamente fora dessa jogada.

A quarta vertente é nomear o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco.O problema, porém, é que o secretário é citado na Lava Jato e não é bem visto pelos deputados.

Demissão

A saída de Geddel foi arquitetada entre ele, Temer e Padilha na noite de quinta-feira (24), após a divulgação do depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal. Agravou o fato de ter anunciado que o ex-ministro teria gravado conversas com o presidente e com outras autoridades.

No entendimento dos três, se o presidente o demitisse, o desgaste aumentaria. No entanto, com um discurso humilde, no qual Geddel pedisse para sair com o argumento de que não queria causar problemas, a sangria poderia ser estancada com mais facilidade.

À Polícia Federal, Calero afirmou que o presidente o enquadrou para encontrar uma saída para liberação do empreendimento de luxo no qual Geddel tem uma unidade, avaliada em R$ 2,5 milhões. O ex-ministro pediu demissão na última sexta-feira (17). Ele justificou à imprensa que estava sendo pressionado por Geddel para agilizar a obra, embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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