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Coordenador da Lava Jato teme que Câmara mantenha prescrição dos crimes de corrupção

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DELTAN DALLAGNOL
Pedro de Oliveira / ALEP
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O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, disse que se preocupa que a Câmara dos Deputados retire do texto das dez medidas contra corrupção ações para evitar a prescrição dos crimes de desvio de recursos públicos.

Em debate sobre o pacote apresentado pelo Ministério Púbico nesta segunda-feira (28) organizado pela FGV Direito Rio, Dallagnol disse ainda que a Lava Jato não vai transformar o Brasil e que é preciso mais participação da sociedade.

"A Lava Jato é mais um caso criminal, como foi o mensalão. Ela vai punir as pessoas e recuperar parte do dinheiro", afirmou. "O Brasil tem governo forte e sociedade civil fraca. Temos que inverter essa equação. Se vocês continuarem achando normal o que é anormal, continuaremos a ter um País que não desejamos", completou o procurador.

O parecer do relator das dez medidas contra corrupção, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), foi aprovado na comissão especial sobre o tema na última quarta-feira (23) e será votado em plenário nesta terça-feira (29).

Durante as últimas semanas semanas, houve uma série de negociações sobre uma emenda que deixasse claro a anistia ao caixa dois para crimes já cometidos. A medida poderia abrir brecha para o perdão de outras infrações, como falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, na análise de juristas.

No fim de semana, o presidente Michel Temer, junto com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciaram que a anistia não seguiria adiante.

“Estamos aqui para revelar que, no tocante da anistia, há uma unanimidade dos dirigentes do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Verificamos que é preciso se atender à voz das ruas, o que significa reproduzirmos um dispositivo constitucional que diz: o poder não é nosso; não é nem do presidente da República nem do Senado nem da Câmara. É do povo. Quando o povo manifesta a urgência, ela há de ser tomada pelo Poder Legislativo e igualmente pelo Executivo”, afirmou o presidente.

A pressa dos deputados para aprovar o perdão se deve a possibilidade de ser divulgada a qualquer momento a delação da Odebrecht. Há pelo menos 279 políticos e 22 partidos citados na lista da Odebrecht, apreendida pela Lava Jato na residência de Benedicto Barbosa Silva Junior, presidente da Odebrecht Infraestrutura.

Apesar do anúncio de Temer, parlamentares ainda tentam articular mudanças no texto de Onyx. Uma delas é a aprovação de uma emenda apresentada pelo PDT para enquadrar juízes e procuradores no crime de responsabilidade.

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