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Morte e enterro de Fidel Castro causam 'saia justa' diplomática em vários países

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FIDEL HAVANA
Palestinian medical student Adham Motawi, with an image of Fidel Castro, holds his head in disbelief during a gathering in Castro's honor in Havana, Cuba, Saturday, Nov. 26, 2016, the day after his death. Cuba will observe nine days of mourning for the former president who ruled Cuba for half a century. (AP Photo/Ramon Espinosa) | ASSOCIATED PRESS
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Se quando vivo, Fidel Castro dividia opiniões, o mesmo parece estar acontecendo agora, após a morte do líder cubano, aos 90 anos.

Depois das manifestações protocolares - algumas mais críticas, outras mais simpáticas ao líder - países ocidentais vêm enfrentando controvérsias para definir quais figuras diplomáticas vão formar eventuais delegações que serão enviadas para Cuba.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil vai ser representado pelo chanceler José Serra e pelo recém-empossado ministro da Cultura, Roberto Freire. De acordo com a pasta, os dois vão comparecer ao enterro das cinzas de Fidel Castro, marcado para o dia 4 de dezembro, em Santiago de Cuba.

Vladimir Putin, líder da Rússia, aliada de longa data da ilha comunista; a premiê do Reino Unido, Theresa May; e o mandatário do Canadá, Justin Trudeau fazem parte dos chefes de estado que não devem comparecer à cerimônia em homenagem a Fidel.

Segundo o jornal britânico Guardian, há uma preocupação com o escalão dos políticos enviados ao funeral. "O nível dos políticos é cuidadosamente calibrado nos círculos diplomáticos e a maioria dos países - à exceção dos países latino-americanos com governos de esquerda - escolheu delegações de nível médio para a cerimônia".

Embora figuras de alto escalão devam ficar de fora do enterro, a grande maioria dos países ocidentais deve mandar algum representante para Cuba. Alemanha e Reino Unido mantêm ainda uma postura cautelosa, sem afirmar quem irá ao enterro. A delegação da Espanha será chefiada pelo ex-rei Juan Carlos e a Argentina será representada pela ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra.

Figura-chave na restauração dos laços diplomáticos entre Cuba e EUA, o presidente americano, Barack Obama, se depara com mais essa decisão, a 50 dias de deixar a Casa Branca.

Ex-líder dos republicanos na Câmara e figura bastante próxima ao presidente eleito, Donald Trump, Newt Gingrich afirmou, em sua conta no Twitter, que "sob nenhuma circunstância, o presidente Obama, o vice-presidente Biden ou o Secretário de Estado Kerry" deveriam ir a Cuba, pois Castro era, em suas palavras, "um tirano".

Republicano de origem cubana, Ted Cruz comparou o enterro de Fidel com as cerimônias fúnebres de "ditadores comunistas assassinos" como Stalin ou Mao Tse Tung.

Embora não seja esperado no evento, por ainda não ter assumido o cargo, Trump se manifestou a respeito da morte de Fidel, em tom de comemoração, e disse ainda que cogita desfazer os acordos selados na administração Obama, caso não sejam impostas "condições melhores para os EUA".

Segundo análise do Financial Times, o funeral de Fidel Castro deve reunir um "grande número de chefes de estado, tornando-se o maior evento do gênero desde a morte de Nelson Mandela".

Estão confirmadas as presenças de líderes latino-americanos como o presidente do Equador, Rafael Correa, o mandatário da Venezuela, Nicolas Maduro, o presidente da Bolívia, Evo Morales e o líder da Nicarágua, Daniel Ortega. Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, também se prepara para embarcar para Cuba.

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