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Keith Ellison: Negro, muçulmano e do interior. Este pode ser o novo presidente do Partido Democrata

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Enquanto os democratas ainda seguem se recuperando e se reerguendo da amarga derrota de sua candidata Hillary Clinton para o republicano Donald Trump nas eleições presidenciais, um congressista negro, muçulmano e do interior pode ser o próximo líder da oposição na Câmara.

Reeleito mais uma vez em novembro deste ano, Keith Ellison fez história em 2006, quando se tornou o primeiro muçulmano-americano eleito para o Congresso e o primeiro negro a representar o Estado de Minnesota.

"Os democratas ganham quando aproveitamos o poder das pessoas comuns e lutamos pelas questões que lhes interessam", afirmou Ellison em um comunicado emitido em meados do mês, quando o deputado de 53 anos decidiu concorrer ao cargo.

Ellison também foi um dos primeiros congressistas a apoiar Bernie Sanders, pré-candidato democrata derrotado por Hillary nas prévias. Segundo o jornal britânico Guardian, é inclusive essa ala do partido que apoia com mais determinação a candidatura de Ellison: a que acredita que o eleitorado demanda uma mudança.

Considerado um político da ala mais a esquerda do partido, Ellison pode ser um contraponto - prático e simbólico - à retórica de Trump, caracterizada por um discurso racista e anti-imigração e islamofóbica durante a campanha. Entre as causas que Ellison se envolveu estão aumento do salário mínimo e a luta pela responsabilização da polícia em confrontos com homens negros (desarmados), entre eles Philando Castile. Como congressista, ele também defende que o partido se preocupe mais com a classe média trabalhadora do que com os grandes doadores de campanha.

De acordo com o New York Times, a resistência a liderança de Ellison está na Casa Branca, entre figuras do partido mais próximas ao atual presidente do país, Barack Obama.

Entre os motivos para o desconforto está, justamente o fato de que para alguns democratas mais chegados ao presidente, a liderança de Ellison representaria "entregar" o partido a Sanders - que já declarou seu apoio a Ellison. Líder da minoria democrata no Senado, Harry Reid disse, em um comunicado, que Ellison é um "grande líder e um forte progressista, que sabe fazer as coisas".

Estrategista ligada a Reid, Rebecca Katz é categórica ao falar sobre a escolha da nova liderança da oposição: "O Partido Democrata deve ser tolerante, inclusivo e progressista - não apenas em palavras mas em ação. Nosso contraste com a Casa Branca deve ser inflexível".

Se Hillary tivesse ganhado, a situação seria diferente: a escolha seria dela, que provavelmente selecionaria algum congressista de seu círculo mais próximo. A eleição de Ellison, segundo analistas, pode representar uma forte guinada para a esquerda e mostrar que os próximos quatro anos vão ser de um contraste ainda mais extremo entre os republicanos e os democratas dentro do congresso, principalmente no que tange as políticas propostas por Trump.

"Isso [a eleição] manda a mensagem de que os muçulmanos são uma parte e uma parcela da sociedade, e sim, eles podem liderar um grande partido político neste país, e ser um muçulmano não é ser nada menos do que qualquer outra pessoa que pode servir", afirmou Oussama Jammal, secretário geral do Conselho Americano de Organizações Muçulmanas.

De acordo com a mídia americana, a escolha do líder da minoria na Câmara só vai acontecer depois do feriado de Ação de Graças, no dia 30 de novembro. O adiamento da escolha foi solicitado pelo deputado Seth Moulton. Segundo o político, o pedido foi feito para que os democratas pudessem assimilar a mensagem enviada pelo povo americano nas urnas na última eleição.

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