Huffpost Brazil

Gravações confirmam versão de Calero sobre pressão de Temer e Geddel

Publicado: Atualizado:
TEMER
Ueslei Marcelino / Reuters
Imprimir

As gravações de conversas feitas entre o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero e o presidente Michel Temer e entre o ex-integrante da Esplanada e o secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, confirmam a versão de Calero sobre seu pedido de demissão motivado por uma pressão do Palácio do Planalto para favorecer o então titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

O caso motivou a demissão dos dois auxiliares de Temer, além de um pedido de impeachment contra o presidente.

O ex-ministro da Cultura acusa Temer de pressioná-lo para autorizar a construção do empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, em Salvador (BA), onde Geddel tinha uma promessa de compra de imóvel. A obra havia sido barrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em entrevista ao Fantástico, Calero afirmou que o sugeriu que ele usasse "um artifício, uma manobra, uma chicana" para resolver a questão. Ele teria recomendado também que o caso fosse encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU).

Em entrevista coletiva no domingo (27), o presidente admitiu que recomendou que o ex-ministro da Cultura procurasse a AGU, mas considerou 'agressiva', 'clandestina' e ‘irrazoável’ a atitude de gravá-lo.

"Eu acho que gravar clandestinamente é irrazoável, é quase indigno. O ministro gravar o presidente é gravíssimo. Se gravou, eu espero que essa gravação venha à luz e eu vou pedir que venha à luz”, afirmou.

Em nota, Gustavo Rocha afirmou que na conversa "somente disse que iria encaminhar recurso ao Iphan, de autoria de outro advogado, que fora deixado equivocadamente em meu gabinete". "O ministro havia dito que não tomaria nenhuma decisão, mesmo tendo competência para isso. Por isso, usei a expressão 'dando entrada'. Contudo, jamais se deu seguimento a tal ação, já que o recurso foi devolvido a seu autor", diz o assessor.

Os áudios foram entregues por Calero à Polícia Federal, que repassou as gravações ao Supremo Tribunal Federal. As gravações foram divulgadas pela GloboNews.

Marcelo Calero: ...quero pedir minha demissão e quero que o senhor aceite, por gentileza, porque eu não me vejo mais com... com condições e espaço de estar no governo.
Michel Temer: {Interessante}.
Calero: É... então, assim...
Temer: Tudo bem. Se você não... se é sua decisão {viu, o Calero}, tem que respeitar. Ontem acho que até fui um pouco incoveniente, né? Insistindo muito pra você... pra você permanecer é.. confesso que não vejo razão pra isso mas você terá as suas razões.
Calero: Sem dúvida.

Gustavo Rocha: É, eu... eu tô te ligando que... é... eu tô dando entrada com pedido protocolar. [Vou] protocolar o recurso lá no Iphan.
Marcelo Calero: Tá.
Gustavo Rocha: Vou protocolar uma cópia aí.
Marcelo Calero: Tá. Mas eu... eu... eu até falei com o presidente, Gustavo, eu não quero me meter nessa história não.
Gustavo Rocha: É, e o que ele me falou pra... pra falar era, "veja se ele encaminha, e num precisa fazer nada, encaminha pra AGU". Falou isso comigo ontem, né? Aí eu falei "não, eu falo isso com ele".
Marcelo Calero: Bom... tá, eu vou... eu vou fazer uma reflexão aqui, Gustavo. Agora, mudando de assunto, Ancine, é... eu pedi uma correção pro texto que me chegou hoje de manhã e... eu tô dependendo da velocidade aqui do nosso jurídico...

LEIA TAMBÉM

- PSOL pede impeachment de Temer por pressionar ex-ministro por prédio

- Para Calero, Temer sugeriu 'manobra' para resolver caso de prédio de Geddel

- Temer reage à suposta gravação de Calero: 'agressiva', 'clandestina' e ‘irrazoável'

Também no HuffPost Brasil:

Close
Apartamento de Geddel
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção