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O que sabemos sobre o avião e as possíveis causas do acidente com a Chapecoense

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Avião da Lamia tinha quase 17 anos | Courtesy of El Deber newspaper via REUTERS
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A tragédia com o time de futebol da cidade de Chapecó, em Santa Catarina, deixou 71 mortos no acidente aéreo ocorrido na madrugada desta terça-feira (29).

A principal hipótese que será investigada é a ocorrência de uma pane elétrica. Mas as causas que levaram ao acidente com o avião que levava a Chapecoense para Medellín só serão confirmadas após estudos e laudos técnicos pelas autoridades locais colombianas.

Segundo a Aeronáutica Civil da Colômbia (Aerocivil), os dados e informações sobre o acidente ainda estão sendo colhidos para que seja iniciada uma apuração.

Por volta das 22h15, horário local (1h15 em Brasília), a tripulação comunicou à torre de controle que havia "falhas elétricas" na aeronave. O avião tentou fazer um pouso forçado em Cerro Gordo, zona rural do municipio de La Unión, em Antióquia. A aeronave estava a apenas cinco minutos de voo do aeroporto mais próximo.

O diretor-geral de Aerocivil, Alfredo Bocanegra, afirmou que há testemunhos de que não havia combustível na aeronave. Mas o piloto teria tentado um pouso antes da chegada e esvaziado os tanques de combustível justamente para evitar uma explosão. Imagens do mapa de voo mostram o avião dando voltas.

"A última comunicação com a torre de controle do aeroporto de Rionegro foi quando se deu a autorização para pousar", informou Bocanegra. Na avaliação dele, falhas técnicas causaram o acidente.

Em entrevista à ESPN, o especialista em acidentes aéreos Carlos Camacho afirmou que em um acidente não há uma causa única e que havia agravantes, como a localidade ser uma região montanhosa, sob chuva intensa, e o voo noturno.

"Se se partiu em três é porque em determinado momento os pilotos tiveram o avistamento do solo. Não foi aquele tipo de acidente que o avião entra vulgarmente no que se chama de bico no chão. Eles tiveram oportunidade de ver o momento do impacto e tiveram alguma ação imediata e corretiva, mas que não foi mais possível [evitar o acidente]", afirmou.

Pelo modelo do avião, o especialista destaca que tenha sido feito o alijamento de combustível, que é o despejo a fim de adequar o peso da aeronave. Dessa forma, ela teria dado as voltas para gastar o combustível e evitar explosões.

O avião, que havia decolado de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, tinha como destino final o município colombiano de Medellín, onde a Chapecoense disputaria as finais da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional na noite desta quarta-feira (30).

O avião

O avião que transportava a delegação tinha quase 17 anos e era britânico, segundo o portal espanhol Airfleets, que reúne informações sobre as companhias aéreas civis.

O modelo Avro RJ-85, iniciamente nomeado como British Aerospace 146, foi fabricado pela British Aerospace e tinha quatro turbinas. A aeronave deixou de ser fabricada em 2001, de acordo com o site.

O professor da Escola Politécnica da USP Jorge Eduardo Leal Medeiros afirmou à Rádio Estadão que o modelo era seguro e já operou no Brasil. "Fez parte do Queen's Flight, grupo de aviões que atende a família real britânica. Não tem problema de projeto", disse.

O capitão Rafael Martínez Guerra, presidente da Associação Colombiana de Aviadores Civis (ACDAC), disse que aeronave era para voos regionais.

Anac

Em nota, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que a empresa boliviana Lamia Corporation solicitou autorização de voo do Brasil para a Colômbia, mas o pedido foi negado.

Segundo a agência, o acordo com a Bolívia, país originário da companhia aérea Lamia, não prevê esse tipo de trajeto. O pedido foi negado com base no Código Brasileiro de Aeronáutica e na Convenção de Chicago.

"A Anac informou ao solicitante do voo que o transporte poderia ser realizado por empresa aérea brasileira e/ou colombiana, conforme a escolha do contratante do serviço, nos termos dos acordos internacionais em vigor", diz a nota.

Por causa da negativa, o time partiu de Guarulhos (SP) para a Bolívia em um voo comercial. Somente em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), eles pegaram o voo fretado da Lamia com destino a Medellín, na Colômbia.

A Lamia é originária da Venezuela, em 2009, e depois mudou sua sede para a Bolívia. A companhia se dedica a voos não regulares.

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